POR ALAIN ROUSSEAU
Hoje vou responder a uma das perguntas mais importantes da vida de um parisiense: onde comprar flores quando você é convidado para um jantar ou simplesmente para agradar seus amigos?
Se oferecer flores é um ato de elegância, ainda assim é preciso não cometer gafes, como oferecer flores vermelhas, cor da paixão, a uma mulher, por exemplo, o que é proibido. O segredo é respeitar cinco regras básicas.
ATENÇÃO ÀS CINCO REGRAS
Em um jantar social, não se deve chegar com flores, ao contrário do que se costuma pensar. Na verdade, isso obrigaria a anfitriã a correr para buscar um vaso, enquanto outras tarefas da recepção exigem sua atenção. O buquê de flores deve ser entregue antes da recepção ou no dia seguinte.
É aconselhável oferecer um número ímpar de flores. Esta regra é válida especialmente para rosas e menos de 12. Quando você oferece mais de uma dúzia de rosas/flores, o número pode ser par. Não se trata de superstição, mas de estética. Imagine oferecer uma rosa ou três… bonito! Mas não duas ou quatro… estranhamente, é “feio”.
Quando não conhece bem a linguagem das flores, escolha tons claros. Por isso, em caso de dúvida, opte sempre por cores claras, pastel e sóbrias. Não ofereça flores vermelhas pelo motivo indicado na introdução, a menos que seja para o seu amor.
Existem dois tipos de flores que você não deve oferecer. Em primeiro lugar, citamos os cravos brancos, conhecidos por trazerem azar. E em segundo lugar na lista negra de flores que nunca devem ser enviadas estão os crisântemos, associados à morte.
Vamos agora conhecer melhor três floristas incríveis!
O MAIS COLORIDO: DESCHAMPS

Se você, como eu, costuma passear por Paris já conhece as criações de Luc Deschamps. E por um bom motivo: esse autodidata apaixonado por flores decidiu enfeitar as mais belas vitrines, fachadas de hotéis e restaurantes da cidade luz! É a ele que devemos, nomeadamente, a fachada floral da La Maison Sauvage, em 2019, as fachadas bucólicas do Bistrot Bohème ou da Brasserie Le Brebant e, mais recentemente, a renovação floral de tirar o fôlego do Buddha Bar.
É essa magia das cores que encontramos em sua loja na avenida Niel, 18, no 17º arrondissement, em buquês que os apreciadores reconhecem. Além disso, a fachada da loja é inundada por flores multicoloridas semelhantes a um jardim do Éden, o lugar perfeito para todos os instagrammers em busca de um esplêndido cenário natural.
O MAIS JAPONÊS: IKEBANART

Este especialista na arte japonesa Ikébana, que significa o caminho das flores, é a arte japonesa do arranjo floral. Uma arte, pois exige um grande conhecimento de si mesmo, como todas as artes inspiradas no zen (cerimônia do chá, artes marciais…). Somente após longos anos de treinamento é possível dominar verdadeiramente essa capacidade de criar uma harmonia de construção linear, ritmo e cores. Para os japoneses, o ikebana é a expressão da natureza e, portanto, da vida.
É toda essa poesia do país do sol nascente que encontramos nesta loja ao longo do canal Saint Martin, no número 49 da rue Lucien-Sampaix, no 10º arrondissement.
O MAIS CHIQUE: LACHAUME

Lachaume é referência em elegância e tradição quando se trata de buquês de flores em Paris. É também um dos comerciantes mais antigos da capital, com mais de 170 anos de história. A primeira loja, criada por Jules Lachaume, foi inaugurada em 1845, na Chaussée d’Antin, no coração do bairro da moda da época, a Nouvelle Athènes, da qual já falei nesta coluna.
Em 1889, a loja mudou-se para a elegante rue Royale, onde se viu rodeada pelos grandes nomes da joalharia e da alta costura. O escritor Marcel Proust ia lá comprar a cattleya que colocava todos os dias na lapela. Em 1947, Christian Dior apresentou sua primeira coleção de alta costura nos salões da avenue Montaigne. Depois dele, Yves Saint Laurent e Karl Lagerfeld se tornaram clientes fiéis.
Hoje, são duas irmãs, Stéphanie Primet e Caroline Cnocquaert, que perpetuam a magia da famosa florista parisiense e dão vida ao legado de sua avó Giuseppina, que revolucionou a loja na década de 70, trazendo de avião flores tropicais extraordinárias e lançando várias modas, como a das orquídeas brancas, por exemplo.
Vale a pena entrar na rue du Faubourg Saint-Honoré, 103, no 8º arrondissement, para descobrir o que significa um buquê “muito Lachaume”.

ALAIN ROUSSEAU tem dois amores: Paris e Brasil. Vive na capital francesa hás 30 anos, mas morou e trabalhou em São Paulo durante oito anos. Nunca mais se desligou do país. Apaixonado por arte e gastronomia, ele é o que os franceses chamam de bon vivant, alguém que gosta de descobrir novidades e que vai trazê-las aqui toda semana.