POR ALAIN ROUSSEAU
Embora decore as mesas de fim de ano no Brasil há muito tempo, graças principalmente a Carlo Bauducco, fundador da marca de mesmo nome, o panetone era desconhecido na França até alguns anos atrás.
Tradicionalmente, degusta-se a buche de Natal (o tronco de Natal), um bolo enrolado em forma de tronco gelado ou hoje em dia cada vez mais com formas fantasiosas.
Mas, agora o brioche italiano atravessou os Alpes e é consumido no Natal, tanto em Paris quanto em Milão.
Retorno a três endereços sobre um fenômeno made in Italy que conquistou o paladar parisiense!
RAP, A EMBAIXADA GOURMET DA ITÁLIA

Antes de abrir esta mercearia fina atrás da igreja Notre-Dame-de-Lorette, no final da rua des Martyrs, a papisa da comida italiana passou um tempo na sua terra natal, antes de importar uma infinidade de produtos: mais de 50 variedades de queijos e charcutaria, 750 vinhos diferentes, as famosas massas orgânicas Mancini, os azeites sicilianos Vasadonna do Etna ou Cinque Colli…
Filha de pai genovês e mãe emiliana, Alessandra Pierini é considerada a especialista em produtos transalpinos na cidade luz.
Não é de se admirar, portanto, que a RAP seja uma referência quando se trata de panetone.
Além do clássico, ela oferece o panetone piemontês, com cobertura crocante de avelãs e recheado com passas e laranjas cristalizadas, um panetone com castanhas cristalizadas, três chocolates, pistache, damascos cristalizados…
E para torná-los mais cremosos, Alexandra recomenda um truque simples: colocá-los perto de um radiador ou fonte de calor antes de abri-los. A manteiga derreterá levemente, tornando-os ainda mais saborosos.
4 rue Fléchier, 9º arrondissement
O MAESTRO PARISIENSE!

Christophe Louie é inegavelmente o rei do panetone na França, sendo este o produto estrela de sua jovem loja localizada atras da praça da République. Formado na Itália pelo maestro Mauro Morandin, ele trouxe consigo o fermento que cultiva até hoje – apelidado de Mauro, é claro. Ao adicionar ingredientes de alta qualidade às suas receitas, Christophe Louie transformou seus panettones em pequenas joias com textura única.
Entre as novidades deste ano, vale a pena provar um incrível panetone salgado com trufas e gouda artesanal com trufas, em colaboração com a casa de caviar Petrossian, ideal para um aperitivo festivo acompanhado pelos patês Petrossian, incluindo o incomparável tarama com trufas.

E no verão, ele oferece até mesmo um sorvete de panetone!
12 Rue Dupetit-Thouars, 3º arrondissement
O TOQUE FRANCÊS!

Será ainda necessário apresentar Pierre Hermé, um dos maiores pasteleiros de Paris e do mundo, tal é a sua fama além-fronteiras?
Este ano, fiel aos seus valores de tradição e ousadia, decidiu mais uma vez declinar o seu sabor estrela num panetone infinitamente macio. Rosa, lichia e framboesa perfumam este brioche delicioso com suas notas delicadamente ácidas, suavizadas por uma pasta de amêndoas com rosa e pedacinhos de amêndoas. Uma delícia macia e crocante, onde o prazer está presente em cada mordida.
Também disponíveis nesta coleção 2025, nas lojas Pierre Hermé de Paris, os panetones Arya, Infiniment Chocolat e Infiniment Noisette.
A LENDA DO PANETONE
Segundo uma das lendas mais populares, o inventor do panetone seria Toni, um ajudante de cozinheiro do duque de Milão Ludovico Sforza, chamado Il Moro, no final do século 15.
Na véspera do Natal de 1495, a corte de Sforza devorava um banquete. Na cozinha, o chef estava ocupado com a preparação de diferentes iguarias e pediu a seu jovem aprendiz, Toni, que supervisionasse o forno dentro do qual grandes biscoitos estavam sendo assados — eles seriam o grande desfecho do jantar do duque.
Toni, no entanto, exausto pelo trabalho, adormeceu por alguns minutos e os biscoitos queimaram.
O jovem cozinheiro, com medo da reação do chef e dos convidados ansiosos pela sobremesa, decide, então, sacrificar a massa de fermento que havia guardado para o pão de Natal.
Ele mistura farinha, ovos, açúcar, passas e frutas cristalizadas até obter uma massa macia e muito fermentada, que assa e serve no banquete.
O resultado é um sucesso retumbante e Ludovico Sforza decide chamar esse doce “pão Toni”, em homenagem ao seu criador.
Feliz Natal!

ALAIN ROUSSEAU tem dois amores: Paris e Brasil. Vive na capital francesa hás 30 anos, mas morou e trabalhou em São Paulo durante oito anos. Nunca mais se desligou do país. Apaixonado por arte e gastronomia, ele é o que os franceses chamam de bon vivant, alguém que gosta de descobrir novidades e que vai trazê-las aqui toda semana.