POR ALAIN ROUSSEAU
Neste inverno, eu te convido a fazer uma visita inédita em Paris, e bem protegido do frio.
Você conhece as galerias cobertas da cidade?
Construídas na primeira metade do século XIX, antes das grandes obras do barão Haussmann, as galerias cobertas são as antecessoras das grandes lojas e dos shopping centers!
Originalmente, elas deveriam proteger os clientes abastados das intempéries enquanto passeavam e faziam suas compras. Paris contou com cerca de 30 passagens cobertas na década de 1850, exportando o modelo para várias outras cidades na França e depois para o exterior.
Normalmente, elas formam galerias abertas através de edifícios pré-existentes ou construídas ao mesmo tempo que eles. São cobertas por uma cobertura de vidro que oferece iluminação zenital, o que lhes confere uma luz especial.
Quase todas as passagens cobertas estão localizadas na margem direita do Sena, principalmente perto dos Grands Boulevards, ou seja, nas áreas que atraíam a clientela abastada na época de sua construção.
PASSAGEM DO GRAND-CERF, A MAIS LUMINOSA

No bairro de Montorgueil, a poucos minutos a pé de Châtelet, a passagem coberta do Grand-Cerf foi criada em 1825. O nome da passagem faz referência à antiga placa de um hotel.
Sua altura, de quase 12 metros, é uma das maiores entre as passagens parisienses. Sua estrutura em metal e ferro forjado deixa entrar muita luz graças à bela claraboia. O visitante descobre lindas lojas de artesanato, de joias, móveis e design. E os amantes da arte encontram outras especializadas em tricô, luminárias…
Ela inspirou os arquitetos das passagens do Goum e do boulevard Petrovsky, em Moscou.
A CHIQUE GALERIE VIVIENNE

Construída em 1823 pelo arquiteto François-Jacques Delannoy, a galeria retoma o vocabulário do estilo do segundo império: pilastras, arcos e cornijas. O arquiteto acrescenta uma decoração que simboliza a riqueza (chifres da abundância), o sucesso (coroas de louro, espigas de trigo, palmas) e o comércio (caduceu de Hermes) .
Mas, o mais notável é o piso com seus mosaicos concebidos pelo mosaicista italiano Giandomenico Facchina, que participou, nomeadamente, da restauração dos mosaicos da Basílica de São Marcos, em Veneza. Para a galeria, ele optou por um estilo sóbrio, realçado pela repetição de formas geométricas simples ao longo dos 42 metros da passagem.
A grande galeria é seguida por uma rotunda envidraçada com uma cúpula hemisférica de vidro.
Foi nesta galeria que Kenzo abriu sua primeira loja e apresentou seu primeiro desfile em Paris. Alguns anos mais tarde, foi a vez de Jean-Paul Gaultier instalar sua loja, hoje substituída por um restaurante italiano.
PASSAGEM BRADY, A LITTLE ÍNDIA PARISIENSE

É no número 46 da rue du Faubourg Saint-Denis, no 10º arrondissement, que você descobrirá a Passagem Brady, um pedacinho da Índia no coração de Paris.
Construída em 1828 pelo senhor Brady, é uma das raras passagens de Paris composta por duas partes, separadas pelo boulevard de Strasbourg. De um lado, a passagem é coberta por uma cobertura de vidro, do outro é ao ar livre.
A visita à Passagem Brady é um convite a uma viagem visual, sensorial e aromática. Comumente chamada de Little India, ela abriga muitas lojas indianas, paquistanesas, cingalesas, mauricianas e da Reunião. Foi aqui, por exemplo, que Antoine Ponnoussamy, antigo cozinheiro do cônsul da França em Pondicherry (na India), abriu a primeira mercearia, rebatizada desde então de mercearia Velan, onde encontrará mais de seis mil referências, desde cosméticos a artesanato, passando por frutas e legumes, como se estivesse em Bombaim ou Nova Deli!
E na segunda parte da passagem, tudo está pronto para a festa, com lojas especializadas em artigos festivos e fantasias, a versão parisiense da 25 de maio paulista!

ALAIN ROUSSEAU tem dois amores: Paris e Brasil. Vive na capital francesa hás 30 anos, mas morou e trabalhou em São Paulo durante oito anos. Nunca mais se desligou do país. Apaixonado por arte e gastronomia, ele é o que os franceses chamam de bon vivant, alguém que gosta de descobrir novidades e que vai trazê-las aqui toda semana.