POR ALAIN ROUSSEAU
Paris, cidade do amor, proclamam os cartazes da prefeitura por toda Paris na véspera da Saint Valentin, nosso Dia dos Namorados, neste sábado, 14 de fevereiro.
Aqui, três endereços românticos para convidar sua Valentine (namorada) ou seu Valentin (namorado) para jantar!
O MAIS BELLE ÉPOQUE
É o restaurante mais antigo de Montmartre, Le Bon Bock, com os chefs Benjamin Moréel e Christopher Prêchez, a poucos passos da Basílica.


O endereço é histórico: Van Gogh, Picasso e Monet fizeram dele seu refúgio, assim como pintores sem dinheiro que pagavam suas contas com quadros, hoje pendurados nas paredes. O restaurante mais antigo de Montmartre ganha uma segunda juventude nas mãos de Benjamin Moréel e Christopher Prêchez, que já haviam se empenhado em reviver o mítico Petit Bouillon Pharamond. Piano, banquetas vermelhas, lustres, absinto e piano bar: bem-vindo à Paris da Belle Époque!
Um lugar perfeito para um jantar romântico!
Neste ambiente típico e refinado de bistrô parisiense, você poderá saborear uma cozinha 100% francesa tradicional: coxas de rã com salsa, ossos com tutano XXL, alho confitado e sal defumado, bochecha de boi confitada e molho encorpado, ou ainda o delicioso magret de pato com molho Suzette, com sua gordura perfeitamente grelhada e suas lindas batatas pequenas. Na sobremesa, você vai adorar o chou à la crème, nozes caramelizadas e brioche perdida com caramelo salgado de Isigny.
E para terminar, que tal descobrir a absinto, a bebida dos poetas que dizem enlouquecer, uma aguardente aromática à base de artemísia, anis verde e erva-doce, servida com uma fonte, como se degustava antigamente.
Le Bon Bock, 2 rue Dancourt, Paris 18º.
O MAIS SECRETO DE TODOS

O Hôtel Particulier Montmartre é um dos hotéis mais secretos de Paris e, no entanto, já recebeu discretamente Brad Pitt e Angelina Jolie, Cameron Diaz e até Johnny Depp.
Situado em uma viela escondida da mítica avenida Junot e antiga residência da família Hermès, o Hôtel Particulier Montmartre é um endereço que não se quer divulgar, pois seu charme reside em seu aspecto secreto e em seus cinco quartos, todos suítes.
É neste ambiente ultra VIP que você poderá jantar a dois no restaurante, que se assemelha a um boudoir todo revestido de veludo rosa.
No menu, começa-se com velouté de topinambur, ou castanhas assadas e enguia fumada; continuamos com o peito de pintada assada, molho de cogumelos morilles e vinho amarelo, purê de batatas ou o bacalhau perolado, mousseline de aipo, molho maltês com laranja. Por fim, na sobremesa, compartilhamos a crème brûlée ou a sedutora pavlova de manga e maracujá.
Hôtel Particulier Montmartre, 23 avenue Junot, Paris 18e
O MAIS MODERNO
É neste novo hotel cinco estrelas, o Experimental, situado no coração do bairro do Marais, que se encontra o restaurante Le Temple & Chapon. O arquiteto Tristan Auer imaginou um encontro entre Paris e Nova York, onde vitrais, arcos e volumes espetaculares compõem uma decoração neogótica francamente bem-sucedida.

Pessoas bonitas e fashionistas se aglomeram nesta sala aveludada em estilo catedral, encimada por lustres majestosos e cortinas brancas. É difícil ser mais romântico do que este decor glamouroso com toalhas de mesa imaculadas, velas e luzes suaves! Em perfeita harmonia, a cozinha faz a ponte entre a cultura francesa e americana com a chef Mélanie Serre no comando (ex-Joël Robuchon), que criou um cardápio de pratos refinados e reconfortantes com um toque americano.
Começamos com o lobster roll ou o velouté de topinambour com trufas, o pâté en croûte ou os tacos de pulled pork. Em seguida, brindamos ao amor saboreando vieiras e risoto de aipo com trufas negras, ou linguine com lagosta para compartilhar, ou ainda o filé mignon Rossini com uma bela fatia de foie gras grelhado. Para sobremesa, experimentamos o cheesecake de abóbora ou uma torta de maçã digna desse nome, com um toque de creme de Isigny.
116 rue du Temple, Paris 3º.
DIA DOS NAMORADOS: A ORIGEM
Embora hoje em dia representemos o dia 14 de fevereiro com o rosto de São Valentim, que realmente existiu, não foi a ele que devemos a criação desta festa, e por um bom motivo. São Valentim não era o padroeiro dos apaixonados, mas protegia “as vinhas da filoxera, as vacas das doenças e a cultura da cebola”, relata o sociólogo Jean-Claude Kaufmann em sua obra Saint-Valentin, mon amour.
Embora seja difícil datar a existência de São Valentim, os primórdios da festa são mais fáceis de encontrar. Tratam-se de rituais amorosos que remontam ao século III, durante as festas romanas chamadas Lupercais. Essas celebrações aconteciam todos os anos em fevereiro, antes da primavera. “Fevereiro vem de ‘februare’, que significa ‘purificar’”, explica Jean-Claude Kaufmann.
Para celebrar a nova vida que chegava com a primavera, as Lupercalia começavam com um sacrifício de animais, geralmente um bode, cuja pele era usada para confeccionar chicotes. Jovens parcialmente ou totalmente nus, os lupercos, usavam-nos para chicotear mulheres, também nuas. Eles miravam na barriga ou nas nádegas, com o objetivo de purificá-las e torná-las férteis.
Mas foi no século XIX que o cartão de Dia dos Namorados, que já existia na Europa, surgiu nos Estados Unidos e marcou o início da data como conhecemos hoje.
“O país é muito recente e carece de festas sentimentais”, conta o sociólogo, “as autoridades promovem essa festa e a desenvolvem com a indústria de cartões”. Com a ajuda dos publicitários, o cartão do Dia dos Namorados é ampliado para objetos e promovido por práticas culturais, como o jantar em restaurantes.
Na França, o Dia dos Namorados não era mais comemorado desde o século XIX, mas voltou à moda após a libertação: “Os soldados americanos paqueravam as francesas falando sobre essa festa do amor”.
Com a ajuda das revistas femininas que elogiavam a “festa dos namorados”, a data, na forma que conhecemos hoje, renasceu.

ALAIN ROUSSEAU tem dois amores: Paris e Brasil. Vive na capital francesa hás 30 anos, mas morou e trabalhou em São Paulo durante oito anos. Nunca mais se desligou do país. Apaixonado por arte e gastronomia, ele é o que os franceses chamam de bon vivant, alguém que gosta de descobrir novidades e que vai trazê-las aqui toda semana.