Os Emirados Árabes Unidos estão dando uma lição de hospitalidade ao mundo. Com o fechamento do espaço aéreo em função da crise no Oriente Médio, milhares de pessoas não conseguiram retornar aos seus países de origem. Em cidades, como Abu Dhabi e Dubai, o governo banca nos hotéis todas as despesas dos hóspedes que forçosamente prolongam as estadias. Não importa quanto tempo isso leve.
Assim, a vida dos que ficaram retidos no país segue sem discussões e sem questionamentos, situações que costumam ser comuns quando voos são cancelados por acontecimentos externos.
O tráfego global continua sofrendo os efeitos do fechamento do espaço aéreo da região para evitar os riscos de que mísseis possam atingir os aviões. Nas mídias sociais circulam vários vídeos de brasileiros que não conseguiram sair de Dubai, mas que estão se sentindo seguros e acolhidos, apesar da situação geopolítica tensa na região.
Porém, já começaram na quarta-feira (4) decolagens de voos do Aeroporto Internacional de Dubai, um dos mais movimentados do mundo -somente em 2025 passaram por ele 95,2 milhões de pessoas- e que ficou totalmente vazio. Nesta quinta (5), também alguns aviões estão decolando, mas o movimento está muito abaixo do normal.
A Emirates, com sede em Dubai e que gradualmente retoma seus voos comerciais, informa que apenas passageiros com reserva confirmada devem ir ao aeroporto.
CORREDORES AÉREOS
A Qatar Airways, no Catar, transferiu suas operações para o aeroporto de Mascate, em Omã. Isso porque a capital Doha precisou fechar totalmente seu espaço aéreo devido aos inúmeros ataques com mísseis e drones feitos pelo Irã contra o país.
O objetivo é conseguir na medida do possível embarcar passageiros que ficaram presos na região desde sábado, 28 de fevereiro, quando começaram os conflitos. A partir da nova base em Mascate, a empresa pretende voar a vários países da Europa.
Mesmo assim, os passageiros enfrentam dificuldades. Para se ter uma ideia, o trajeto terrestre entre Doha e Mascate leva cerca de 11 horas e está ocorrendo aumento do tráfego na fronteira, o que provoca atrasos e filas.
Especialistas acreditam que a aviação global deve levar algum tempo para retomar a normalidade, visto não haver ainda sinais de abrandamento do conflito, que envolve os Estados Unidos e Israel contra alvos específicos do Irã. O transporte aéreo de carga também foi interrompido, afetando produtos perecíveis.