Alain em Paris: DESCOBRINDO O MELHOR DO JAPÃO NA CAPITAL FRANCESA!

Vamos embarcar nesse tour exótico, percorrendo alguns dos endereços que representam a forte presença da cultura japonesa entre os parisienses!

POR ALAIN ROUSSEAU

Esta semana, vou levá-los a descobrir a Paris japonesa.

Embora Paris não tenha um bairro japonês como o da Liberdade, em São Paulo, a influência japonesa está bem presente, e não apenas porque a França é o segundo país do mundo que mais lê mangás (depois do Japão), com quase 40 milhões de títulos vendidos no ano passado!

Aqui, uma demonstração em três etapas emblemáticas.

A casa de cultura

A Casa da Cultura do Japão em Paris Foto Divulgação

La Maison de la culture du Japon à Paris (MCJP, A Casa da Cultura do Japão em Paris) é a embaixada cultural do Japão na Cidade Luz. E desde 1997, a MCJP apresenta toda a cultura japonesa, seja ela tradicional ou contemporânea, ao público parisiense.

Exposições, espetáculos ao vivo, cinema, conferências, biblioteca, mas também cursos de língua japonesa, de arte floral, de caligrafia, sem esquecer os de culinária: tantas atividades oferecidas em seus 8,7 mil m²!

A origem do projeto remonta a 1982 quando houve a visita de Estado do então presidente francês François Mitterrand ao Japão. Durante uma das conversas que teve com o primeiro-ministro japonês Zenko Suzuki, o presidente lançou a ideia de criar em Paris uma casa que tivesse como objetivo apresentar a cultura japonesa ao público francês e, por meio disso, fortalecer os laços entre os dois países. A proposta foi bem recebida e, 15 anos depois, resultou na inauguração da MJCP.

Atualmente, a exposição I love sushi conta a história de um prato que se tornou um símbolo do Japão: o sushi.

Através de um percurso educativo e lúdico, a mostra traça a evolução do sushi ao longo dos séculos: suas origens continentais, sua introdução no arquipélago há mais de um milênio, a diversificação dos tipos de sushi durante o período Edo e o entusiasmo pelos restaurantes especializados a partir da década de 1950. Inúmeras e apetitosas reproduções de sushi em resina, réplicas em tamanho real de peixes, gravuras e vídeos ilustram essa incrível evolução culinária e social.

La Maison de la culture du Japon à Paris : 101 bis, quai Jacques-Chirac, 15º arrondissement.

Um restaurante incrível

O exótico restaurante Kodawari Ramen Tsukiji Foto Divulgação

O Kodawari Ramen Tsukiji é, sem dúvida, o restaurante mais exótico da capital. Ao abrir a porta, você se vê em pleno Tóquio, no mercado de peixes de Tsukiji, o maior mercado de peixes do mundo, que abasteceu ate 2018 todos os restaurantes da capital japonesa.

Jean-Baptiste Meusnier, o fundador do restaurante, decidiu prestar homenagem a esse local mítico reproduzindo-o da forma mais fiel possível. Peixes falsos dispostos sobre camadas de gelo, caixas cheias de crustáceos, lanternas, bancos instáveis… Uma verdadeira decoração kodawari (que significa “atento aos detalhes” em japonês).

Além do mobiliário, a atmosfera é trabalhada minuciosamente e apela a todos os nossos sentidos. Os garçons vestidos com trajes de pescadores recebem os clientes em japonês. Uma trilha sonora gravada durante os últimos dias do mercado de Tsukiji torna a experiência imersiva até o fim. E aqui, não é possível fazer reserva, é preciso ficar na fila, como no Japão!

O cliente se sente em Tóquio Foto Divulgação

No menu, sete opções de ramen à escolha: o chintan de dourada, o paitan de dourada e lagostim, o ramen de sardinha, o Sardine Bomb, o hiyashi de dourada, o mazemen de lagosta e o ramen de ervas marinhas. Todos podem ser acompanhados por diversos acompanhamentos caseiros. Meu favorito? Sem dúvida, o Sardine Bomb, um caldo espesso de sardinhas da Bretanha, fatias de porco de criação livre basco assadas por 12 horas e cebolinha grelhada. Para acompanhar, um ovo tamago (marinado com dourada e yuzu) e um tomate cocktail assado.

Kodawari Ramen Tsukiji. Rua Richelieu, 12, 1O arrondissement.                

Cenário instagramável

Comida deliciosa e cenários perfeitos para as redes Foto Divulgação

O Kibo No Ki não é apenas um excelente restaurante japonês a poucos passos da Madeleine, mas também o lugar perfeito para experimentar quimonos ao final da refeição e alimentar seu Instagram!

Cada andar tem sua própria decoração, mas recomendo que você coma no balcão, em frente à cerejeira em flor.

No cardápio: ramens e poke bowls.

Para oferecer bons ramens, o chef fez um curso na escola de ramen RAJUKU com o renomado professor Koitani Takeishi. Aqui, tudo é feito na hora, desde os caldos até os macarrões frescos, cuja farinha é de origem para aperfeiçoar a degustação.

Em busca de frescor? O Kibo No Ki oferece, portanto, uma bela variedade de poke bowls reinventados. É claro que também encontramos gyozas, takoyakis e outros pratos clássicos como entradas. Você também pode escolher compor seu ramen ou poke como preferir: base, proteínas, vegetais, coberturas e molhos.

Depois de saborear sua refeição, é hora das provas de roupa. Encontramos quimonos para homens e mulheres, acompanhados de diversos acessórios. Depois de se vestir, passe por baixo do torii (o arco japonês), em frente aos guarda-sóis, aos lanternões ou à cerejeira em flor: seus seguidores vão adorar!

Kibo No Ki: 14 Rue Vignon, 9º arrondissement

O primeiro sushi

Em 2013, a cozinha tradicional japonesa washoku foi inscrita no Patrimônio Cultural Imaterial da UNESCO. Representativo dessa arte culinária, o sushi teria, no entanto, origem nas planícies do Sudeste Asiático ou no sul da China e teria sido introduzido no arquipélago no século VIII. Naquela época, era bem diferente do que conhecemos hoje. O peixe salgado era, de fato, misturado com arroz cozido, e a mistura fermentava por vários meses. Posteriormente, apenas o peixe era consumido. O arroz só passou a ser comido junto com o peixe a partir do século XV.

(fonte: exposição “I love sushi” na Casa da Cultura do Japão em Paris)

ALAIN ROUSSEAU vive na capital francesa há 30 anos, mas morou e trabalhou em São Paulo durante oito anos. Fala fluentemente o português e diz que sua alma é brasileira. Apaixonado por arte e gastronomia, ele é o que os franceses chamam de bon vivant, alguém que gosta de descobrir novidades, compartilhadas aqui semanalmente com seu olhar refinado.

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