ALAIN ROUSSEAU
A exposição imperdível desta primavera em Paris é Matisse. 1941–1954, no Grand Palais! Ela apresenta os últimos anos da carreira do artista francês Henri Matisse, entre 1941 e 1954, por meio de mais de 300 obras, pinturas, desenhos, livros ilustrados, tecidos, vitrais e as famosas guaches recortadas provenientes da coleção do Centre Pompidou e de importantes empréstimos internacionais, raramente vistos juntos.

A mostra revela a dimensão multidisciplinar de sua prática durante esse período, ao mesmo tempo em que reúne um conjunto inédito de guaches recortadas.
Matisse tinha quase 80 anos quando se reinventou, e a exposição destaca a diversidade e a vitalidade desse seu último período de criação. Da série dos Intérieurs de Vence aos famosos Nus bleus, passando pelo álbum Jazz ou Thèmes et variations, o percurso traça a profusão das séries realizadas por Matisse nessa época.

Inúmeros motivos florais e vegetais pontuam igualmente o percurso, ao lado de figuras de acrobatas, banhistas ou formas orgânicas, que nos transportam para o “jardim” interior de Matisse.
O espaço de exposição foi concebido como uma evocação do ateliê do pintor em seu apartamento no Hotel Régina, em Nice. Sala após sala, o percurso recria esse ambiente de trabalho em constante transformação, onde as formas, as cores e os motivos parecem se espalhar livremente pelas paredes.
Foco nos papéis recortados com guache

Ao criar obras em papéis recortados com guache, Matisse resolve um dos principais problemas da pintura: a eterna tensão entre o desenho e a cor.
Antes de qualquer figura, a cor é aplicada sobre a superfície do papel. Em seguida, Matisse recorta essa superfície colorida com uma tesoura. Dessa forma, ele une, em um único gesto, a energia do traço e o brilho da cor.
O motivo, a figura ou a forma ganham vida e, em seguida, seu lugar na composição. Conforme a vontade do artista, os papéis guachados são movidos, fixados com alfinetes. Eles mantêm sua liberdade até o lugar que lhes será designado.
Matisse introduz assim novas relações entre o espaço e as massas, entre os motivos e as cores.
Frequentemente, o azul predomina como a infinitude do céu e lembra o apego de Matisse pelo céu mediterrâneo, cuja luminosidade o inspirou em todos os períodos de sua obra.

Esta última seção é realmente excepcional, pois é a primeira vez (e, sem dúvida, a última) que se pode ver sob o mesmo teto L’Escargot (1953), da Tate Modern de Londres, Mémoire d’Océanie (1953), do MoMA de Nova York, La Gerbe (1953), do Museu de Arte do Condado de Los Angeles, Acanthes (1953), da Fundação Beyeler de Basileia, Zulma (1950), vinda de Copenhague, e a Danseuse créole (1950), de Nice, além de outras, bem menos conhecidas e que temos o prazer de descobrir.
Sem contar os quatro Nus bleus de 1952, que nunca — exceto nos livros — foram exibidos lado a lado.
Grand Palais

Construído por ocasião da Exposição Universal de 1900, o Grand Palais simboliza a Paris da Belle Époque, com o Petit Palais em frente a ele.
Para definir a arquitetura do Grand Palais, foi lançado um concurso de ideias. No entanto, nenhum projeto conseguiu se impor. A obra foi, portanto, elaborada por vários arquitetos: Henri Deglane, para a parte principal; Albert Louvet, para a parte intermediária; e Albert Thomas, para a parte posterior. Eles foram coordenados por Charles Girault, que também se encarregou da construção do Petit Palais.
As obras começaram em 1897, mobilizando 1,5 mil trabalhadores. Após três anos de construção, o colosso de pedra, vidro e ferro, que mistura classicismo, barroco e art nouveau, foi inaugurado a tempo para a Exposição Universal. A fachada é decorada, em particular, com um mosaico de Louis-Edouard Fournier dedicado à “arte através dos séculos”.

Foi sob sua imensa cobertura de vidro de 17,5 mil m², renovada para a ocasião, que se realizaram as provas de esgrima e taekwondo durante os Jogos Olímpicos de Paris em 2024.

ALAIN ROUSSEAU vive na capital francesa há 30 anos, mas morou e trabalhou em São Paulo durante oito anos. Fala fluentemente o português e diz que sua alma é brasileira. Apaixonado por arte e gastronomia, ele é o que os franceses chamam de bon vivant, alguém que gosta de descobrir novidades, compartilhadas aqui semanalmente com seu olhar refinado.