Alain em Paris: GASTRONOMIA AFRICANA FAZ O MAIOR SUCESSO ENTRE OS FRANCESES!

Endereços que os parisienses adoram com o melhor da culinária típica da África, uma tendência que veio para ficar na cidade!

ALAIN ROUSSEAU

O sucesso fulgurante do jovem chef franco-africano Mory Sacko, eleito um dos “cinco mais promissores do mundo” pela bíblia do setor, o ranking La Liste, em 2021, colocou a culinária africana no centro do cenário gastronômico francês. Ainda em 2021, o jovem chef, então com apenas 29 anos, recebeu a sua primeira estrela Michelin e foi capa da revista Time dois anos depois.

O chef Mory Sacko, que abriu alas para a gastronomia africana na capital Foto Divulgação

O chef, que fala em “cozinhas africanas” para melhor destacar a pluralidade da culinária do continente, abriu caminho para uma nova onda de restaurantes africanos que surpreendem e encantam nosso paladar. Assim, hoje trago três endereços para você descobrir uma tendência que veio para ficar em Paris.

DKM, os clássicos africanos revisitados

Após o sucesso do BMK Paris-Bamako e do BMK Folie-Bamako, os irmãos Djilkine voltam com um novo conceito culinário que destaca as riquezas das cozinhas africanas e afrodescendentes. Com esse projeto, eles dão continuidade à sua missão: reinventar os sabores do continente, mantendo-se fiéis às suas raízes. À frente dos fogões, o chef Sada Sy, que já comanda os outros dois restaurantes do grupo, colabora desta vez com Diadié Diombana, uma estrela em ascensão da gastronomia internacional.

O cardápio do DKR pretende ser uma viagem culinária pela África e pelas Antilhas. Encontramos clássicos revisitados, como o yassa de manga ou o mafé, mas também pratos mais raros em Paris, como o arroz jollof nigeriano ou o kuku paka queniano.

O DKR não se contenta em oferecer apenas uma cozinha saborosa: o restaurante aposta em um ambiente acolhedor e contemporâneo, onde as pessoas podem compartilhar pratos generosos, equilibrados e criativos.

As sobremesas não ficam de fora, com delícias como o ngataïrh senegalês, à base de milho e pão de macaco, que encerrarão a refeição com um toque de gulodice.

DKR, 18, rue de la Roquette, 11º arrondissement.

Bomaye, a comida street food africana

O hambúrguer do Bomaye Foto Divulgação

No Bomaye, graças a Camille Gozé e Laurent Kalala, que formam um casal na vida e no palco, podemos descobrir e saborear hambúrgueres africanos com receitas que prestam homenagem aos pratos tradicionais da África, como o mafé, o garba, o frango yassa ou ainda o alloco.

Após uma viagem de descoberta pela África para vivenciar de perto o que até então era apenas um sonho, foi natural que a dupla tivesse o desejo de abrir um restaurante que valorizasse as melhores receitas africanas em versão street food. E que prato mais emblemático do que o hambúrguer para isso?

Do Senegal ao Congo, passando pela Costa do Marfim e pelo Marrocos, os dois amigos voltaram com as malas cheias de receitas tradicionais: o mafé ou o frango yassa do Senegal, o garba e o alloco da Costa do Marfim, o frango mayo do Congo, ou ainda o cuscuz tfaya do Marrocos.

O resultado? Seis receitas de hambúrgueres para descobrir.

Minhas favoritas?

O Campeão da África 2022, uma releitura do famoso mafé do Senegal com um bife moído de carne Black Angus, molho mafé, queijo cheddar derretido e amendoim torrado; um hambúrguer reconfortante, realçado por um molho de amendoim que não dá para esquecer!

O Babi la douce, uma adaptação do garba da Costa do Marfim, com um filé de atum grelhado salpicado de sêmola de mandioca crocante e temperado com maionese caseira apimentada, jalapeños e cebolinha.

Sem esquecer o charme do restaurante, construído como uma pequena cantina colorida e animada, com paredes cobertas por pinturas vibrantes, assinadas pelos artistas Ernesto Novo e Kouka Ntadi.

Bomaye, 16 Rue de Paradis, 10º arrondissement.

Assinie, a cozinha requintada da Costa do Marfim

Assinie, que leva o nome de uma estância balneária da Costa do Marfim, é a embaixada culinária do país. As fundadoras são duas irmãs: Isabelle Béké, modelo e atriz, e Fleur, formada em ciências políticas, que colocam sua dupla cultura a serviço de uma culinária que convida a uma imersão total nos sabores da África Ocidental.

Logo na entrada, os apreciadores de sabores exóticos ficarão encantados com pastéis de peixe ou de carne, uma salada de abacate com camarões ou ainda as imperdíveis asas de frango apimentadas. Esses petiscos são perfeitos para quem deseja provar a diversidade da culinária africana. O Assinie também oferece uma variedade de tapas, ideal para compartilhar com amigos e provar um pouco de tudo.

Restaurante Assinie Foto Divulgação

Para os pratos principais, o restaurante destaca especialidades como o capitão assado do Assinie ou o Garba, prato tipicamente marfinense composto por peixe grelhado e sêmola de mandioca; no que diz respeito ao peixe, a dourada assada é rica em sabores.

O restaurante também oferece uma ampla variedade de acompanhamentos para esses pratos, como arroz, batata-doce frita, attiéké (sêmola de mandioca cozida no vapor) ou inhame frito. Cada um desses acompanhamentos traz uma textura e um sabor únicos, permitindo personalizar os pratos de acordo com os gostos e desejos.

O ambiente do restaurante Foto Divulgação

Quanto às sobremesas, o destaque é a Perla de milho em iogurte adocicado (Decuê), que combina frescor e suavidade para encerrar a refeição com leveza.

Assinie, 74 rue de Tocqueville, 17º arrondissement.

ALAIN ROUSSEAU vive na capital francesa há 30 anos, mas morou e trabalhou em São Paulo durante oito anos. Fala fluentemente o português e diz que sua alma é brasileira. Apaixonado por arte e gastronomia, ele é o que os franceses chamam de bon vivant, alguém que gosta de descobrir novidades, compartilhadas aqui semanalmente com seu olhar refinado.

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