Boa notícia para os que se preocupam com a saúde cerebral: acaba de chegar ao Brasil um teste semelhante ao da gravidez, e que pode ser feito em casa, que promete indicar riscos para a doença de Alzheimer décadas antes de surgirem os primeiros sintomas clínicos.
Feito por meio da urina o teste tem resultados em cerca de dez minutos e sem a necessidade de procedimentos invasivos. A tecnologia, distribuída no país pela Biacon Diagnósticos, representa avanços no monitoramento da saúde cognitiva.
Diferentemente dos métodos tradicionais utilizados para a investigação da doença, que costumam exigir exames complexos, de alto custo e até mesmo a coleta de líquor (punção lombar), o novo teste utiliza apenas uma amostra de urina. Ele já pode feito em laboratórios habilitados e redes de saúde em todo o país.
O exame funciona como uma espécie de ferramenta de triagem, auxiliando médicos na identificação de pacientes que podem depois fazer uma investigação mais profunda. A ideia não é substituir a avaliação médica nem os exames complementares.
O neurocirurgião e neurocientista Fernando Gomes diz que um dos maiores desafios atuais é identificar o risco antes que o cérebro apresente perdas irreverssíveis.
Mudança de paradigma
“Durante muitos anos a doença só podia ser reconhecida quando a perda da memória já comprometia a vida do paciente. Hoje sabemos que as alterações biológicas começam muitos anos antes dos sintomas. Quanto mais cedo conseguimos identificar quem apresenta maior risco, maiores são as oportunidades de monitoramento, adoção de hábitos protetores, controle dos fatores de risco e planejamento terapêutico“, afirma o especialista.
Para ele, “o cérebro merece o mesmo cuidado que já dedicamos ao coração. Assim como monitoramos colesterol, pressão arterial e glicemia antes que ocorram infartos ou AVCs, precisamos incorporar a saúde cerebral aos programas de prevenção.”
Giulia Campanha, diretora internacional da Biocon, diz que o objetivo da tecnologia não é gerar medo ou preocupação desnecessária, mas ampliar as possibilidades de acompanhamento e cuidado.
“O teste não tem como finalidade diagnosticar Alzheimer em 10 minutos. Ele funciona como uma ferramenta de rastreamento, permitindo que pacientes e médicos tenham acesso a informações que podem contribuir para decisões clínicas e estratégias de acompanhamento mais precoces.”
Giulia destaca ainda que a chegada da tecnologia ao Brasil representa um marco importante para a medicina preventiva no país. “Durante muitos anos, o Alzheimer só entrava na conversa quando os sintomas já estavam instalados. A grande mudança agora é trazer essa discussão para muito antes disso, permitindo uma atuação mais antecipada e organizada.”
O médico Fernando Gomes vai além, ressaltando a importância do diagnóstico precoce:
“Não estamos falando apenas de descobrir uma doença antes. Estamos falando de preservar autonomia, qualidade de vida e independência por mais tempo. Cada ano que conseguimos ganhar antes da instalação dos sintomas pode representar uma enorme diferença para o paciente, para sua família e para todo o sistema de saúde.”