CHEGA AO BRASIL APLICATIVO QUE ANALISA ALIMENTOS, COSMÉTICOS E PRODUTOS DE HIGIENE

O app francês Yuka, que tem mais de 85 milhões de usuários no mundo, escaneia o código de barras para avaliar, de forma simples e independente, o impacto desses produtos na saúde. É gratuito!

Você sabe o que consome e qual o impacto esses produtos têm na sua saúde? A partir de agora, ficará mais fácil descobrir: chega ao país o Yuka, aplicativo francês usado por várias celebridades, como Dua Lipa, e que tem hoje mais de 85 milhões de usuários mundo afora (somente nos Estados Unidos são 28 milhões).

Ele escaneia o código de barras de alimentos, cosméticos e produtos de higiene para analisar, com avaliações simples e independentes, seu impacto na saúde, oferecendo ao consumidor a oportunidade de compras mais conscientes.

Criado na França em 2017 e hoje presente em 15 países, a plataforma tem uma base global de mais de 6 milhões de produtos cadastrados, incluindo cerca de 4 milhões de alimentos e 2 milhões de cosméticos. No Brasil, o aplicativo estreia com 600 mil produtos cadastrados, número que promete crescer no decorrer do tempo.

Além disso, é gratuito e muito simples de usar. Após escanear o código de barras de um produto, o usuário recebe uma nota de 0 a 100, acompanhada de uma classificação por cores que varia do verde ao vermelho.

É possível ainda acessar uma ficha detalhada com informações que explicam os motivos da avaliação positiva ou negativa. Quando um produto recebe uma pontuação baixa, o aplicativo sugere alternativas semelhantes com melhor desempenho para a saúde.

Como é feita a avaliação dos produtos?

Nos alimentos, o Yuka considera três fatores principais: qualidade nutricional (60% da nota), presença de aditivos (30%) e certificação orgânica (10%). Para analisar a qualidade nutricional, utiliza como base o Nutri-Score, sistema adotado em diversos países europeus que avalia o equilíbrio nutricional dos produtos a partir de critérios como calorias, açúcar, sódio, gorduras saturadas, proteínas, fibras e teor de frutas e vegetais.

Já a análise de aditivos considera as recomendações de organismos como a Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA) e a Agência Internacional para Pesquisa sobre o Câncer (IARC), além de diversos estudos independentes. 

Nos cosméticos e produtos de higiene pessoal, a avaliação considera todos os ingredientes presentes na formulação. Cada componente passa por uma análise baseada em evidências científicas sobre seus potenciais impactos na saúde e nos ecossistemas, incluindo fatores como potencial alergênico, irritação, desregulação endócrina, risco carcinogênico e impacto sobre a vida aquática.

A partir desses critérios, os ingredientes são classificados em quatro categorias de risco, que variam de “sem risco identificado” a “risco elevado”. 

As avaliações são atribuídas de forma imparcial, ou seja, nenhum fabricante ou marca pode pagar para alterar notas, melhorar classificações ou influenciar recomendações exibidas no aplicativo.

Para garantir a independência, a principal fonte de receita é a versão premium do aplicativo, que oferece funcionalidades adicionais como busca direta de produtos, alertas personalizados e modo offline.

O impacto nas decisões de compra e de consumo

Em um estudo realizado nos Estados Unidos, com mais de 20 mil usuários, 94% afirmaram ter deixado de comprar produtos classificados em vermelho após consultar o aplicativo. Outros 92% passaram a consumir menos alimentos ultrarprocessados, enquanto 88% relataram percepção de melhora na própria saúde.

O aplicativo também afeta fabricantes. Segundo uma pesquisa conduzida pelo instituto francês IFOP, 78% das empresas do setor alimentício consideram as avaliações do Yuka no desenvolvimento ou na reformulação de produtos.

“O Brasil vive um movimento cada vez mais forte em torno da saúde e do bem-estar, mas muitos consumidores ainda não compreendem plenamente o que estão consumindo. Quando informações técnicas e, muitas vezes, complexas sobre ingredientes e perfis nutricionais se tornam mais acessíveis, as pessoas ganham mais autonomia para entender os rótulos e fazer escolhas mais alinhadas à sua saúde. Com o tempo, o acesso a essas informações tem o potencial de transformar hábitos de consumo”, afirma Gabriela Mourad Vicenssuto, engenheira de alimentos brasileira da equipe do Yuka.  

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