O Yuka, aplicativo francês que escaneia códigos de barras de alimentos, cosméticos e produtos de cuidados pessoais para avaliar seu impacto na saúde, chegou ao Brasil em julho de 2026. Hoje, tem mais de 700 mil produtos do país cadastrados em seu banco de dados e já identificou as categorias de aditivos alimentares e ingredientes cosméticos mais frequentemente classificados como de alto risco.
O app, aliás, muito útil, é gratuito, simples de usar e traduz informações complexas dos rótulos (aquelas escritas com letras miúdas) em avaliações independentes. o que ajuda os consumidores a entender melhor o que irão consumir, tomando decisões de compras mais conscientes.
O Yuka utiliza a escala de quatro cores para alimentos e cosméticos: verde, sem risco identificado; amarelo, risco limitado; laranja, risco moderado; e vermelho, alto risco. Um ingrediente só recebe a classificação vermelha quando há evidências científicas sólidas de um efeito grave sobre a saúde e quando o nível de exposição é de fato preocupante, e não apenas por precaução.
Quando um produto recebe uma avaliação baixa, a Yuka sugere alternativas com melhor classificação dentro da mesma categoria. Para alimentos, são produtos sem aditivos controversos e/ou com melhor perfil nutricional, como menor quantidade de açúcar ou sal e maior teor de proteínas ou fibras. Para cosméticos, são produtos formulados sem ingredientes classificados como potencialmente de risco.
Quais são os aditivos alimentares classificados como de alto risco?

A análise feita no Brasil reúne algumas das substâncias mais comuns encontradas em produtos de uso cotidiano, que vão de alimentos processados e bebidas a cosméticos e itens de cuidados pessoais. A análise por categoria ajuda a dimensionar a presença de substâncias, explicando porque seu uso pode provocar efeitos na saúde
Nitritos e nitratos -eles são usados como conservantes em carnes processadas e embutidos
Corantes artificiais – o Vermelho 40, o Amarelo 5 e Amarelo 6 são encontrados em refrigerantes, doces, salgadinhos e cereais
Dióxido de titânio – Usado para dar coloração branca a doces, gomas de mascar e molhos.
Adoçantes artificiais – Os mais comuns são aspartame e sucralose, usados em bebidas “light” e “zero” e em produtos lácteos.
Emulsificantes – eles são encontrados em produtos lácteos, molhos, sorvetes e bebidas vegetais.
Aditivos à base de fosfato – são amplamente utilizados em refrigerantes, produtos de panificação, queijos processados e embutidos.
Por que devemos evitá-los?
Nitritos e nitratos, por exemplo, podem gerar substâncias que diversas autoridades de saúde, incluindo a Organização Mundial da Saúde (OMS), consideram provavelmente cancerígenas. Os corantes artificiais, presentes na maioria dos produtos alimentícios, não têm valor nutricional e foram associados à hiperatividade e a problemas de atenção em crianças. Por isso, a União Europeia exige uma advertência nos rótulos desde 2010.
Já o dióxido de titânio, por sua vez, deixou de ser considerado seguro pela Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos em 2021 e está proibido em alimentos na União Europeia desde 2022, embora continue permitido na maioria dos países, incluindo o Brasil.
O mesmo se aplica aos adoçantes artificiais, comercializados como uma alternativa saudável ao açúcar, mas associados a evidências cada vez mais preocupantes. O aspartame foi classificado pela OMS como possível carcinógeno e associado a um maior risco de diabetes tipo 2. As autoridades de saúde também não recomendam seu uso como estratégia de controle de peso.
Os aditivos à base de fosfato, encontrados em produtos de panificação, carnes processadas, produtos lácteos e, principalmente, refrigerantes, contribuem para uma ingestão de fósforo muito acima dos níveis recomendados. Esse consumo foi associado a danos renais, problemas ósseos e maior risco cardiovascular.
Aumento de ultraprocessados no Brasil
No Brasil, esse tema ganha relevância diante do aumento do consumo de alimentos ultraprocessados. Segundo pesquisa da Universidade de São Paulo, a participação dos ultraprocessados no consumo total de energia da população aumentou cerca de 36% entre 2002 e 2003 e 2017 e 2018.
Cosméticos: ingredientes que mais preocupam!

A atenção aos produtos de uso pessoal também deve ser avaliada pelo consumidor. Muitos deles são frequentemente classificados pelo Yuka como de risco. Alguns dos principais:
Parabenos – suspeitos de interferir no sistema hormonal. O butilparabeno é classificado como disruptor endócrino na União Europeia, com efeitos documentados sobre hormônios, fertilidade e desenvolvimento fetal.
Antioxidantes BHA e BHT – também associados a alterações hormonais. O BHA é classificado pela Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC) como possível carcinógeno.
Silicones cíclicos. O D4 é um possível disruptor endócrino, com efeitos sobre o sistema reprodutivo feminino.
Conservantes alergênicos – como a metilisotiazolinona são um potente agente alergênico que irrita a pele, os olhos e as vias respiratórias.
Filtros UV – benzofenona-3 (oxibenzona) e octocrileno são considerados possíveis disruptores hormonais e também associados a impactos sobre os recifes de coral.
Sais de alumínio em antitranspirantes – utilizados diariamente, são associados a possíveis efeitos reprodutivos e neurológicos, segundo a OMS.
Substâncias PFAS – PTFE e perfluorodecalina são associadas a alterações no sistema imunológico, redução da fertilidade e diferentes tipos de câncer, além de apresentarem alta persistência no meio ambiente.
Para o consumidor, torna-se praticamente impossível analisar de forma objetiva os rótulos dos produtos que está consumindo. Daí, a importância da tecnologia que, além de analisar de forma didática, também contribui para a mudança de hábitos.