Desconexão. Essa é a palavra-chave de uma tendência que começa a ganhar cada vez mais força para enfrentar o que muitos chamam de fadiga digital. Sim, as pessoas estão esgotadas de tanta informação em tempo real e agora buscam fórmulas para aliviar os sintomas. O mercado já diagnostica essa mudança seja no entretenimento, nas viagens e também na saúde.
No Rock´n´Rio, um dos maiores festivais de música e de entretenimento do mundo e que começa nesta sexta-feira (4), muitas marcas estão buscando desconexão com as telas e maior interação com o espaço real para suas ativações de marcas.

Segundo a Winnin, plataforma de inteligência cultural movida por IA, esse novo movimento vem acompanhado de um comportamento constante relacionado à fadiga digital. Nas próprias redes sociais, conteúdos que abordam o sentimento de saturação tecnológica e da própria internet cresceram 70% em 2025.
“Mapeamos uma tendência chamada de ‘troca analógica’. E agora ela está saindo das telas, do feed das redes, e chegando às ativações de marca”, diz Gian Martinez, CEO da Winnin.
Para o festival no Rio de Janeiro, a DHL está levando como brinde mini câmeras com design retrô, acompanhadas de uma caixa personalizada e um chaveiro. O iFood, patrocinador oficial do evento pela primeira vez, terá montanha-russa e a Heineken, uma tirolesa. E quem passar pelo espaço da C&A poderá poderá participar de uma customização de jaquetas
O estudo da plataforma também mapeou as preferências dentro desse contexto analógico. As mulheres jovens, por exemplo, demonstram maior interesse em hobbies manuais e higiene do sono. Enquanto isso, os homens mais velhos se atraem por mídias físicas.
“Hoje, nossos celulares fazem tudo. Então, fazer uma coisa só, por um único momento, virou um diferencial. Os patrocinadores do festival perceberam isso e transformaram essa demanda do público em experiências reais”, observa Martinez.
O estudo da Winnin também mapeou que, neste contexto analógico, as mulheres jovens demonstram maior interesse em hobbies manuais e higiene do sono. Já homens mais velhos se atraem por mídias físicas. Durante o Rock in Rio, quem passar pelo estande da C&A poderá participar de uma experiência de customização de jaquetas.
É um tipo de nostalgia que nos remete aos limites que a tecnologia tinha no passado. O analógico deixa as gerações mais velhas se sentindo em casa, enquanto os mais jovens têm a oportunidade de sair um pouco da vida hiperconectada”, conclui o especialista.
Cresce a busca pelo turismo do sossego
No setor de viagens também há mudanças de comportamento. Houve uma alta de 42% nas buscas por roteiros de ecoturismo, vilas à beira-mar isoladas e regiões mais focadas em bem-estar, superando o crescimento por grandes metróples e programas mais urbanos.
Também cresceu 38% a contratação de seguros de viagem com ampla cobertura médica, o que reflete um comportamento de consumo cada vez mais focado na preservação da saúde física e emocional, revela um estudo feito pela Amo Promo, empresa brasileira de tecnologia para o turismo.
Segundo o levantamento, 68% dos viajantes que aderem ao turismo da desconexão têm entre 25 e 42 anos. Trata-se de um público ativo no mercado de trabalho que, para enfrentar o ritmo acelerado de seu cotidiano, busca silêncio, contato com a natureza e ‘desintoxicação digital”. Para eles, viajar é dar pausas, respirar e se recuperar.
“A viagem deixou de ser vista como um item de consumo supérfluo ou status social e passou a ser encarada como uma necessidade de saúde e preservação emocional. Vemos um viajante maduro, que não quer voltar das férias precisando de mais descanso. A busca é pelo ‘desacelerar’, mas com total responsabilidade e suporte”, afirma Fernanda Zamboni, gerente de RH da Amo Promo.
Os brasileiros estão muito estressados. O afastamento do trabalho por bornout no país aumentou 823% em quatro anos, mostram dados do Ministério da Previdência Social. A Associação Nacional de Medicina do Trabalho estima que 30% da população ocupada conviva com alguma condição ligada ao esgotamento profissional.