Como anda a saúde mental do brasileiro? Uma pesquisa recente revelou que a compra de medicamentos para depressão e ansiedade cresceu 12% em um ano no Brasil. Porém, o que chama mais a atenção é que o avanço mais acelerado veio da chamada geração Z (jovens nascidos entre o final dos anos 1990 até 2012). Apenas no primeiro semestre de 2026, eles foram os responsáveis pelo aumento de 15% nas compras, gastando 21% a mais.
Esses índices são da empresa Vidalink (empresa de bem-estar corporativo), com base em 34.823 pessoas que compraram ao menos um medicamento ligado à saúde mental entre janeiro de 2025 e junho de 2026.
O estudo também aponta que os millennials (nascidos entre 1981 e 1996) estão nessa estatística. Entre eles, o número de clientes subiu 10,2%, as compras aumentaram 12,1% e o valor total cresceu 16,8%. A Geração X registrou altas de 7,1% em clientes, 10,5% em pedidos e 14,3% em valor. Entre os baby boomers, o avanço foi mais discreto: 3,5% em compradores e 4,7% em quantidade de compras.
As mulheres representaram 64,1% dos compradores desses medicamentos nos dois períodos analisados, contra 35,9% dos homens. A proporção se repete em outros levantamentos sobre busca por cuidado em saúde mental no Brasil e costuma ser lida de duas formas: maior prevalência de diagnósticos de depressão e ansiedade entre mulheres, somada a uma barreira cultural que ainda afasta homens da procura por ajuda.
A origem da pesquisa também merece atenção. Os dados vêm de uma base de benefícios corporativos, ou seja, de pessoas empregadas e com acesso a um benefício de saúde. O retrato, portanto, é de uma fatia da população em condição relativamente favorável. Fora desse recorte, entre trabalhadores informais, desempregados e quem depende exclusivamente do SUS, o cenário tende a ser mais difícil de mapear e provavelmente mais severo.
Por que os brasileiros estão mais deprimidos?
Na avaliação de alguns especialistas, uma das causas para esse quadro é que houve uma redução do estigma de falar abertamente sobre sofrimento emocional e buscar ajuda virou algo mais socialmente aceito entre quem tem até 29 anos.
Uma segunda vertente está vinculada ao adoecimento real, ligado ao mercado de trabalho, à instabilidade financeira, pressão por desempenho e exposição contínua nas redes sociais.
Por fim, há ainda uma terceira premissa que está vinculada ao acesso desigual ao tratamento. Em muitos casos, o acompanhamento psicológico não cabe no orçamento. Assim, a medicação pode acabar sendo a única porta aberta para a crise
A segunda é de adoecimento real, ligado a precarização do trabalho, instabilidade financeira, pressão por desempenho e exposição contínua a redes sociais. A terceira, menos confortável, é de acesso desigual: quando o acompanhamento psicológico não cabe no orçamento, a medicação pode acabar sendo a única porta que permanece aberta.
“Medicação é indicação médica. Mas, cuidado com a saúde mental não se resume a uma receita”, afirma a psicóloga Caroline Macarini. Ela é uma das fundadores da Unolife, healthech fundada em 2020 e que conecta pessoas a especialistas online de nove categorias por um valor mais acessível.
As sessões duram até uma hora e custam R$ 79,99, sendo feitas por videochamada em sala própria, privada e criptografada. A plataforma atende brasileiros aqui e no exterior.
Casos de emergência
Vale ressaltar que a plataforma não oferece atendimento imediato a pessoas em situações de crise. Nos casos mais graves, a pessoa deve ligar para o 188 (CVV, Centro de Valorização da Vida, que funciona 24 horas) ou pelo site www.cvv.org.br. Em emergências, procure o hospital mais próximo.