O que está acontecendo na Europa? Cidades, especialmente na França e na Itália, vêm enfrentando protestos violentos, com grande destruição do patrimônio público e de construções históricas. No último sásbado (17), cerca de 550 mil pessoas participaram de 110 marchas em todo o país.
E os resultados foram chocantes: mais de 1,5 mil lojas saqueadas ou totalmente destruídas, entre elas marcas de luxo, carros incendiados, prédios públicos atacados e muito lixo espalhado pelas ruas. Em Paris, o Museu do Louvre, um dos destinos turísticos mais famosos do mundo, precisou fechar as portas. O museu ficou fechado até esta segunda-feira (19) porque os manifestantes bloquearam as entradas.
Na cidade de Limoges, na região Nova Aquitânia, os manifestantes incendiaram a prefeitura, cujo telhado desabou. A construção, do século 19, havia sobrevivido a duas guerras mundiais.
O clima de caos é tamanho que altos funcionários do governo de Emmanuel Macron chegaram a afirmar que a polícia “perdeu o controle” em várias cidades importantes do país. E muitas dessas autoridades pediram demissão pela incapacidade de contornarem o caos.

Segundo as autoridades francesas, os distúrbios acionaram cerca de 60 mil policiais e outros agentes de segurança em todo o país. Cerca de mil agentes da lei e bombeiros ficaram feridos, pelo menos 2,4 mil pessoas foram presas e a estimativa é que aproximadamente cerca de 3 mil empresas sofreram danos.
Nesta segunda-feira (19), franceses começaram a sair em grupos, na cidade de Lyon, a terceira maior cidade da França (depois de Paris e Marselha) para proteger o patrimônio público dos ataques, conforme postagens na rede social X.
O que querem os manifestantes?
A mobilização nacional incluiu diversos grupos, entre eles ex-colegas dos coletes amarelos, estudantes do ensino médio e universitários, ativistas climáticos e agricultores. Os protestos estudantis, iniciados há alguns meses precederam a mobilização nacional, seguida por grande destruição e violência. Os franceses protestam contra o alto custo de vida.
O ministro do Interior, Laurent Nuñez, reconheceu “falta de planejamento” antes das manifestações e disse que as autoridades subestimaram, não apenas o número de manifestantes, mas também os grupos violentos que estariam explorando a situação. Ele ofereceu sua renúncia a Macron, mas o presidente francês não aceitou. Macron exigiu explicações sobre por que as autoridades francesas foram pegas tão desprevenidas.
Por sua vez, o ministro da Justiça. Gérald Darmanin, após reconhecer a falha, apontou especirficamente para “a dificuldade da França em lidar com a extrema-esquerda e com a inteligência, que havia previsto um número bem menor de manifestantes.
Onde estava Macron?
O presidente francês foi muito criticado por ter ido com a mulher, Brigitte, na sexta-feira à noite, véspera do protesto, a um show da cantora Celine Dion, na Plenitude Arena, a oeste de Paris. Antes, ele havia participado de uma conferência em Bruxelas, em que pedia calma, afirmando que “o protesto dever4ua ser exercido com respeito pelas pessoas e pela propriedade”. Não foi o que aconteceu.
Itália também registra violência
O país também teve manifestações em Milão, Turim e Bolonha contra o aumento do custo de vida, que resultaram em confrontos violentos com a polícia. As imagens mostravam pedras, fogos de artifícios e garrafas nas ruas.
Milão, capital da Lombardia, registrou os protestos mais violentos durante o domingo (18), convocados pelo comitê Itália na Praça. Cerca de 5 mil pessoas fizeram críticas pontuais ao governo, citando a inflação, os baixos salários e deterioração da saúde pública. A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, condenou os “ataques violentos”. Ela também convocou 500 soldados das Forças Armadas para proteger o patrimônio público.