ALAIN ROUSSEAU
Por ocasião do Dia Mundial da Massa, o World Pasta Day, que será celebrado neste domingo (25), convido vocês a conhecerem meus restaurantes italianos favoritos em Paris.
Como curiosidade, saibam que a comida italiana é a culinária estrangeira mais bem representada aqui: são mais de 1.020 restaurantes, ficando à frente da gastronomia chinesa e japonesa.
A embaixada veneziana

Foi em um antigo ateliê de gravura que os irmãos Massimiliano e Raffaele Alajmo abriram um dos restaurantes italianos mais refinados e elegantes de Paris, com toques venezianos, o Caffè Stern.
Ao ritmo das estações, a casa celebra a culinária veneziana em sua essência, tal como a imagina Max Alajmo: intensamente leve e com um toque nostálgico de modernidade.
Sob a direção do chef Alessandro Fornaro, ex-colaborador do Beef Bar em Hong Kong e do 81/2 Otto e Mezzo Bombana, em Macau, o cardápio combina clássicos venezianos e criações sazonais: do Cappuccino alla bolognese aos Tagliolini com endro, lagosta e molho de pistache, passando pelo fígado de bezerro alla veneziana e sua polenta frita.

Não se pode falar do Caffè Stern sem mencionar sua seleção criteriosa de mais de 500 vinhos excepcionais, com predominância italiana, que constitui um verdadeiro passeio por aquele país.
Tudo isso é saboreado em um ambiente histórico, onde os acabamentos em madeira antigos dialogam com um toque mais contemporâneo trazido pelo trabalho de Philippe Starck, que imprimiu sua poesia ao local, reinventando a magia sem alterar sua essência, que combina luz e mistério.
“O encontro entre Stern e os irmãos Alajmo é uma combinação mágica”, conta Philippe Starck. “Assim como os gravadores de antigamente, eles cultivam a excelência e a originalidade. Não alteramos nada, apenas revelamos a beleza oculta. O resultado: um bacaro atemporal, onde cada visita se torna uma fuga misteriosa”, acrescenta.
Caffè Stern, 47 passage des Panoramas, 2º arrondissement.
Uma osteria urbana festiva

É no fantástico ambiente art nouveau da antiga Casa das Senhoras dos Correios, Telégrafos e Telefones, no 7º distrito, que os fundadores do fenômeno Big Mama, os franceses Tigrane Seydoux e Victor Lugger, inauguraram o que chamam de “osteria urbana festiva”.
Na Gloria Osteria não há pizzas; o cardápio prioriza o sabor, apresentando fatias finas de foie gras sobre o carpaccio de camarões (muito sofisticado, mas também muito bom), o brioche folhado com trufas acompanhado de presunto cru perfeitamente curado e o molho tonnato sobre fatias finas de atum vermelho. Espaguete ao ragu ou com vongole, saltimbocca alla romana, involtini de coelho, tiramisu ou pannacotta.

Viva a dolce vita!
Gloria Osteria, Rua de Lille, 41, 7º arrondissement.
Pizzas à moda napolitana

A poucos passos do Canal Saint-Martin, no cruzamento da Rua Marie-Louise com a Rua Bichat, Guido abriu o Ottobre. E posso garantir que as pizzas valem a visita. No comando do forno está Carmine, pizzaiolo vindo diretamente de Nápoles.
Guido escolhe seus grãos de trigo com um cuidado meticuloso e usa a famosa farinha Petra, refinada em Este, para dar às suas pizzas uma leveza rara.
Minhas favoritas são as clássicas: a pizza de mortadela, burrata e pistache — generosa, macia e delicadamente perfumada — e a pizza carbonara, suculenta com seu creme derretido e seus sabores reconfortantes.
O Ottobre também oferece pizzas especiais, como a de toucinho de Colonnata, um produto raro e excepcional, que definitivamente vale a pena experimentar, ou a Nonno Guido, com creme de cogumelos cèpes, burratina e toucinho de Colonnata, ou ainda a estrela, a Ottobre, com creme de trufas, mussarela e trio de cogumelos.

Acompanha-se tudo com vinho italiano e finaliza-se com uma nota doce: tiramisu caseiro da Mamma Livia ou uma panna cotta muito original, coberta com geléia de tomate.
E tem mais: o verão garante banhos de sol no amplo terraço.
Ottobre Pizzeria, Rua Marie e Louise, 2, 10º arrondissement.

ALAIN ROUSSEAU vive na capital francesa há 30 anos, mas morou e trabalhou em São Paulo durante oito anos. Fala fluentemente o português e diz que sua alma é brasileira. Apaixonado por arte e gastronomia, ele é o que os franceses chamam de bon vivant, alguém que gosta de descobrir novidades, compartilhadas aqui semanalmente com seu olhar refinado.