Atenção pais e responsáveis que o assunto é extremamente sério: não permitam que seus filhos, ou familiares, participem de grupos de ódio que estão torturando ao vivo animais, especialmente filhotes, na internet para monetizar e também ganhar “notoriedade”.
Esses eventos criminosos, cuja a maioria dos participantes são adolescentes e jovens, estão acontecendo no Discord, um servidor brasileiro “focado em games, bate-papo e em diversos outros sistemas únicos”, conforme esse produto digital se autodenomina. Na plataforma, os usuários conversam por meio de mensagens, de aúdios e de vídeos.
Vários animais por noite
A Polícia Civil está investigando os casos que geralmente são feitos com transmissão ao vivo. Os usuários aparecem torturando os pets e o conteúdo é monetizado para estimular a violência contra os animais.
Segundo a delegada Lisandréa Salvariego, do Núcleo de Observação e Análise Digital (Noad) da Secretaria de Segurnça Pública, as lives envolvendo animais são previamente agendadas e só têm valor na comunidade se forem realizadas em tempo real. “Ao vivo o usuário demonstra ser ele mesmo o autor”, afirma.
Como se não bastasse tamanha crueldade, a audiência, do outro lado da tela, incentiva e aplaude a tortura aos animais, dando sugestões pelo chat . A delegada diz ainda que há uma média de “10 a 15 animais por noite” submetidos a crueldades nas salas virtuais do Discord.
No último dia 15 de abril, um adolescente de 15 anos foi apreendido pela Polícia Civil, no bairro de Guaianases, em São Paulo, por estar torturando um gato na Discord. Ele mora em Limeira no interior do Estado.
Quem são esses ‘torturadores’
O perfil dos criadores desse conteúdo criminoso é formado em sua grande maioria por adolescentes e jovens com até 20 anos. Eles buscam por reconhecimento dentro de seus grupos de ação. Assim, quanto mais brutal for o conteúdo, mais aplausos e reconhecimento recebem.
Na avaliação da polícia, a maior motivação para esses jovens passa longe do anonimato. Eles querem mesmo ser notados entre os membros, que, sadicamente, também se abastecem da tortura feita contra os animais.
Adolescentes coagidos!
As investigações policiais apontam ainda que entre os agressores online de pets há também aqueles que são vítimas de chantagem, a chamada “sextorção”. Ou seja: são coagidos a praticarem essas ações criminosas.
A delegada explica que vários adolescentes são atraídos para esses grupos depois de enviarem imagens íntimas para alguns usuários. Sob chantagem, devem “cumprir ordens”, entre elas matar animais da própria família em lives.
Quando a polícia consegue identificar essas vítimas, há uma ação imediata, afirma a delegada. Entre as providências tomadas, há a derrubada do servidor. A polícia também liga para os familiares antes que o ato seja consumado. Segundo Salvariego, “mais de mil animais” já foram salvos nessas circunstâncias.
O que diz a plataforma
Diante das graves denúncias, o Discord, diz que “tem uma política de tolerância zero para atividades ilegais.”
“Assim que tomamos conhecimento desse tipo de conteúdo, agimos imediatamente e aplicamos as medidas cabíveis, que podem incluir o banimento de usuários e a derrubada de servidores”, afirmou em nota.
Resta saber se essa tolerância zero está sendo mesmo cumprida. Apesar da ação policial, cabe aos pais ficarem mais atentos ao que seus filhos estão fazendo online e aumentar a vigilância também sobre os seus animais de estimação. Antes que seja tarde!