Alain em Paris: ARTISTAS BRASILEIROS BRILHAM NA NOVA FUNDAÇÃO CARTIER!

O recém-inaugurado espaço de arte contemporânea da cidade, em frente ao Louvre, expõe obras incríveis de artistas plásticos brasileiros na Exposição Geral, que marca a sua abertura!

POR ALAIN ROUSSEAU

Este foi, sem dúvida, o evento cultural que mais deu o que falar em Paris no final de 2025: a inauguração da nova Fundação Cartier para a Arte Contemporânea.

Simbolicamente localizada em frente ao Louvre e a poucos passos da Fundação Pinault, ela ocupa um edifício histórico, construído por ocasião da Exposição Universal de 1855, que já foi uma grande loja de departamentos.

E, surpreendentemente, na sua primeira exposição, a Exposição Geral, que reúne obras que marcaram 40 anos de exposições na sua antiga sede na Boulevard Raspail, por um momento senti-me na Bienal de São Paulo, tamanha a quantidade de obras de artistas brasileiros.

Antes de apresentar as obras que mais me marcaram, uma palavra sobre o incrível edifício remodelado pelo arquiteto Jean Nouvel, que já havia assinado o icônico edifício da Boulevard Raspail, onde a fundação estava instalada desde 1994.

O que impressiona, em primeiro lugar, é o espaço: 8,5 mil metros quadrados acessíveis ao público, dos quais 6,5 mil metros quadrados são para exposição, sob uma cobertura envidraçada ladeada por árvores jovens.

Porém, o mais interessante é o que não se vê. Conversando com os funcionários do museu, descobri que o edifício foi construído sobre cinco plataformas modulares. Ativadas com roldanas e guinchos de última geração, elas podem ser posicionadas em 11 níveis diferentes. Aliás, se você olhar bem, os guinchos aparecem em alguns lugares.

Vale destacar a inauguração, em breve, de um restaurante de Anne-Sophie Pic, uma das poucas chefs francesas que conquistou 3 estrelas Michelin.

MIRACEUS, DE SOLANGE PESSOA

A obra da artista mineira Solage Pessoa, em Paris Foto Alain Rousseau

Natural de Minas Gerais, Solange Pessoa trabalha com a extinção em massa da vida e evoca a terra que permanece sob nossos pés, repleta de fósseis desconhecidos e histórias perdidas.

Em Miracéus, a artista expressa sua visão de um mundo animista, onde a natureza é animada por um espírito, uma força vital.

Obra monumental, ela é composta por milhares de penas de pássaros coletadas pela artista e montadas de maneira regular.

A arquitetura da obra assume a forma de uma árvore que se transforma em uma estrutura espiritual dedicada a rituais vodu ou xamânicos que permitiriam acessar entidades superiores. Encarnando a imagem de um céu noturno, o tronco localizado no centro constitui um longo canal ritual, um cordão umbilical que liga o solo e o que está acima, na escuridão.

BONECAS, DE IZABEL MENDES DA CUNHA

As bonecas da artista brasileira Izabel Mendes da Cunha Foto Alain Rousseau

Retomando as técnicas tradicionais da cerâmica do sertão, de onde é originária, Izabel Mendès da Cunha transforma um saber-fazer artesanal em uma arte narrativa que questiona a existência humana.

Suas esculturas representam mulheres com rostos minuciosamente modelados e traços delicados, aparecendo ora amamentando ou carregando uma criança, ora sem braços. Encarnações das mulheres do sertão, elas representam geralmente a feminilidade, com suas roupas cerimoniais, joias e adornos capilares, como flores, tiaras e lenços.

Sua estatura imponente e a ausência de pedestal conferem-lhes uma presença misteriosa, como se estivessem suspensas fora do tempo. Suas bonecas parecem nos observar, trazendo consigo uma reflexão sobre a condição humana através de figuras que parecem ao mesmo tempo reais e atemporais.

NATUREZA ESPIRITUAL DA REALIDADE, DE LUIZ ZERBINI

A obra de Luiz Zerbini, na Fundação Cartier Foto Alain Rousseau

Natureza Espiritual da Realidade é uma escultura modular composta por seis mesas de vidro dispostas em quadrado, como uma vitrine de museu, formando uma imensa mesa herbário. Cada mesa contém objetos heterogêneos coletados durante as viagens do artista ou reunidos por motivos pessoais. Conchas, pedras, tijolos, azulejos de cerâmica, troncos de árvores, plantas, redes de pesca: esses elementos são dispostos ora como naturezas mortas, ora como composições abstratas.

No meio das mesas encontra-se uma árvore verdadeira, cuidadosamente escolhida pelo artista. Sensível às estruturas complexas e às cores vivas das plantas, bem como ao seu desenvolvimento, Luiz Zerbini compõe sua mesa-herbário de acordo com uma grade geométrica rigorosa, revelando a riqueza gráfica do mundo vegetal.

Essa obra traduz em três dimensões o trabalho do artista em suas telas, onde ele justapõe figuração e geometria, natureza exuberante e arquitetura.

ALAIN ROUSSEAU tem dois amores: Paris e Brasil. Vive na capital francesa hás 30 anos, mas morou e trabalhou em São Paulo durante oito anos. Nunca mais se desligou do país. Apaixonado por arte e gastronomia, ele é o que os franceses chamam de bon vivant, alguém que gosta de descobrir novidades e que vai trazê-las aqui toda semana.

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