Alain em Paris: CIDADE VIRA MUSEU A CÉU ABERTO!

Grandes obras de arte contemporânea estão espalhadas em vários bairros da capital francesa. Vem com a gente fazer esse tour!

POR ALAIN ROUSSEAU

Agora está decidido: em outubro, Paris se tornou a capital mundial da arte contemporânea.

Tradicionalmente, o evento era reservado a alguns poucos privilegiados, amadores ou colecionadores com a Feira Art Basel Paris no Grand Palais, hoje renovado.

Este ano os organizadores decidiram democratizar o acesso à criação contemporânea, espalhando obras monumentais pelos quatro cantos da cidade luz, com acesso gratuito, para que todos os parisienses possam apreciá-las.

Aqui você vai ver três obras instaladas em três arrondissements (bairros) diferentes.

KERMIT, O SAPO

Foi na elegante Place Vendôme, em frente ao luxuoso hotel Ritz e rodeado pelas maiores joalherias, que o artista venezuelano Alex Da Corte instalou uma reprodução de Kermit, o sapo, um dos personagens emblemáticos do famoso Muppet Show.

Foto Divulgação

Sua instalação de 20 metros de comprimento é uma homenagem a um ícone popular e uma reflexão sobre a cultura contemporânea, questionando o lugar da arte em um espaço urbano carregado de história.

Para a obra Kermit the Frog, Even, criada inicialmente em 2018 e recriada aqui na forma inflável, o artista se inspirou em um incidente real ocorrido durante o desfile de Ação de Graças da Macy’s em 1991, em Nova York. Naquele dia, um balão gigante com a efígie de Kermit esvaziou parcialmente após colidir com um poste de luz na 5ª Avenida, oferecendo um espetáculo inesperado de vulnerabilidade. Da Corte captura esse momento de “derrota” apresentando Kermit com a cabeça caída, suspenso como se estivesse congelado em um momento de fracasso perpétuo.

De acordo com o site da Art Basel, essa peça explora os temas do humor e da melancolia, convidando o espectador a refletir sobre o poder emocional das personagens populares. “Entre o humor e a melancolia, a obra revisita a linguagem familiar da cultura popular para criar trabalhos vivos e emocionalmente matizados.”

FACHADA DAS ACACIAS

Foto Divulgação

O artista Daniel Buren, autor das colunas de Buren do Palais Royal (Palácio Real), regressa a Paris e oferece à cidade uma nova criação.

Com a Fachada das Acacias, no número 30 da rue des Acacias, no 17º arrondissement, ele cria em todo o edifício uma sucessão de grandes triângulos isósceles feitos com suas famosas faixas brancas de 8,7 cm de diâmetro. A fachada assim revestida e recortada em ziguezague, ou em degraus, desenvolve-se a partir da diagonal traçada desde a vitrine até ao topo do edifício.

Com esta obra, o artista pretende transformar a arquitetura em suporte artístico e questionar o olhar do espectador sobre o espaço urbano.

Lembramos que foi em setembro de 1965, há exatamente 60 anos, que Daniel Buren descobriu no Marché Saint-Pierre, em Paris, um tecido de persiana com listras alternadas brancas e coloridas que mudaria sua vida e se tornaria sua marca registrada presente em todas as suas criações.

TOTEM PRIMITIVO

Foto Divulgação

O artista suíço Ugo Rondinone apresenta uma escultura monumental, com forma humana, que remete a crenças antigas e universais, em frente ao edifício da Academia Francesa, antiga biblioteca do cardeal Mazarin, obra-prima do século XVII francês, em frente ao Museu do Louvre, na rive gauche (margem esquerda).

Trabalhando na intersecção entre escultura, pintura e instalação, Ugo Rondinone usa frequentemente formas elementares para evocar experiências humanas universais. Há muito tempo, a pedra, como símbolo das origens da humanidade, ocupa um lugar central em sua prática. The innocent faz parte de sua série Stone Figures, pilhas de pedras que formam corpos monumentais com cabeça, torso e pernas longas.

Esta criação em pedra azul, tem 4 metros de altura. A escultura é inspirada em totens e artefatos antigos: Ugo Rondinone volta às origens da humanidade, às crenças e práticas místicas milenares que unem todos os povos. A forma depurada é, na realidade, mais complexa do que parece, e os espectadores são convidados a mergulhar em contemplação diante da imponente instalação. Ao pé do totem, encontramos flores e brinquedos: formas de oferendas e homenagens que reforçam a mensagem espiritual desta criação: perturbadora!

ALAIN ROUSSEAU tem dois amores: Paris e Brasil. Vive na capital francesa hás 30 anos, mas morou e trabalhou em São Paulo durante oito anos. Nunca mais se desligou do país. Apaixonado por arte e gastronomia, ele é o que os franceses chamam de bon vivant, alguém que gosta de descobrir novidades e que vai trazê-las aqui toda semana.

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