Alain em Paris: É TEMPO DE MUITA FESTA PARA BRINDAR O ANO NOVO CHINÊS!

A capital francesa comemora com espetáculos, exposições e alta gastronomia o novo ano lunar, marcado pelo cavalo de fogo, que promete intensidade e muito movimento!

POR ALAIN ROUSSEAU

Nesta terça-feira (17), começaram em Paris e em todo o mundo as festividades do Ano Novo Chinês ou Ano Novo Lunar. E 2026 é o ano do cavalo de fogo. Na cultura tradicional chinesa, esse animal simboliza tanto o sucesso quanto a precipitação. Ele inspira dinamismo e positividade. Quanto ao elemento fogo, ele simboliza um período de impulso, liberdade e mudanças rápidas. O ano do cavalo de fogo promete, portanto, ser agitado, intenso, marcado pela ousadia, grandes projetos e renovações.

Em Paris, a comunidade asiática, composta principalmente por pessoas de origem chinesa, vietnamita e cambojana, organiza vários eventos, como o famoso desfile da Chinatown parisiense, no 13º arrondissement, que acontecerá no domingo, 1º de março, ou ainda o festival das lanternas em Belleville neste fim de semana.

Trago aqui três momentos importantes dessas comemorações.

SOM E LUZ

O espetáculo Luz das Cavernas, no Centro Cultural da China Foto Divulgação

 Este ano, por ocasião da Festa da Primavera, o Centro Cultural da China apresenta o espetáculo Luz das cavernas de Yungang, eco em Paris, uma viagem imersiva que integra história, arte e tecnologia.

As cavernas de Yungang, em Shanxi, na China, cuja construção começou no século V d.C., abrigam hoje mais de 50 mil estátuas consideradas “uma epopeia da escultura oriental”. Ápice da arte budista chinesa, elas também constituem um testemunho histórico das trocas e influências recíprocas entre civilizações ao longo da Rota da Seda: motivos gregos, ornamentos persas e doutrina budista indiana encontram-se com a arte da Planície Central, cristalizando um diálogo eterno inscrito na pedra.

Projetado na fachada do edifício, o espetáculo permite descobrir de forma poética este local inscrito no patrimônio cultural mundial da UNESCO.

Foto Divulgação

O espectador acompanha o despertar do cavalo branco que o leva a uma viagem através do tempo e do espaço, uma série de cavernas revelando a magnificência das estátuas budistas, o eco musical das paredes rochosas fazendo ressoar as melodias da Rota da Seda na noite, o crescimento da árvore Bodhi entre as colunas simbolizando a fusão e o renascimento das civilizações.

Centro Cultural da China: 1 Bd de la Tour-Maubourg, Paris 7º arrondissement.

BRUNCH CINCO ESTRELAS

O restaurante La Bauhina do Shangro-La Paris Foto Divulgação

Fiel às suas origens asiáticas, o primeiro hotel foi inaugurado em Singapura em 1971 e seu fundador é originário de Hong Kong, o Shangri-La Paris oferece neste domingo um brunch excepcional para celebrar o Ano Novo Lunar.

Sob a majestosa cúpula de vidro do restaurante La Bauhinia, o chef executivo Simon Havage elaborou um brunch excepcional, que ele concebe como uma viagem culinária ao coração da alta gastronomia chinesa. 

Instalado em uma rotunda sob uma vasta cobertura de vidro dos anos 30, criada por Maurice Gras, o La Bauhinia surpreende com seu volume impressionante, seu estilo de jardim de inverno, suas notas decorativas asiáticas, suas grades de ferro forjado que conduzem ao mezanino, onde também estão instaladas mesas com vista para a sala inferior, e um gigantesco lustre de murano suspenso no centro da cobertura de vidro.

No cardápio, Dim Sum com caranguejo-real e caviar, Royale de dashi ao estilo Chawanmushi, Robalo no vapor, lótus, couve pack choy e manteiga branca com missô, Porco com molho agridoce, sem esquecer os buffets de Dim Sum, frutos do mar e sobremesas.

Chin man yong (bom apetite)!

Hotel Palace Shangri La: 10 Avenue d’Iéna, 16º arrondissement.

FAMOSOS E HISTÓRICOS DRAGÕES

Foto Divulgação

 A exposição, no Museu Jacques Chirac do Quai Branly, oferece uma visão geral dos 5 mil anos de história da iconografia do dragão através de uma seleção excepcional de objetos e obras de arte provenientes do Museu Nacional do Palácio de Taipé, em Taiwan.

A mostra explica que o dragão originário da China não é, de forma alguma, a criatura maligna e cuspidora de fogo designada com esse nome no Ocidente. Na mitologia chinesa, ele encarna, ao contrário, a energia vital universal e o elemento aquático. Ambivalente e incontrolável, ele garante a harmonia do mundo: a terra depende de seu poder para se beneficiar dos bem-fazentes do céu.

Ela apresenta uma seleção de objetos e obras de arte, desde os primeiros dragões que apareceram em jades e bronzes antigos até as formas populares contemporâneas, passando pelas artes imperiais.

E reconstitui a era de ouro em que o imperador realizava seus rituais para garantir a prosperidade e a harmonia terrestre, com suas vestes bordadas com dragões usadas pelos altos funcionários, seus selos e placas de jade, sua louça de porcelana azul e branca, suas caixas de laca vermelha ornamentadas com dragões caçando a pérola em chamas, símbolo do trovão, no meio das nuvens.

Aliás, não é por acaso que no centro da Cidade Proibida se erguia o trono-dragão marcando o quinto ponto cardeal, na junção entre a Terra e o céu.

Hoje em dia, ele ainda está muito presente na cultura asiática. Durante o Ano Novo Lunar, por exemplo, dança com seu companheiro, o leão, para afugentar os espíritos malignos ao som de tambores e fogos de artifício.

Museu do Quai Branly – Jacques Chirac: 37, quai Branly, 7º arrondissement.

ALAIN ROUSSEAU tem dois amores: Paris e Brasil. Vive na capital francesa hás 30 anos, mas morou e trabalhou em São Paulo durante oito anos. Nunca mais se desligou do país. Apaixonado por arte e gastronomia, ele é o que os franceses chamam de bon vivant, alguém que gosta de descobrir novidades e que vai trazê-las aqui toda semana.

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