ALAIN ROUSSEAU
Nesta semana, proponho que vocês almocem ou jantem em três dos mais belos jardins de Paris, longe da multidão e em meio à vegetação. No programa: natureza, sol, tranquilidade e delícias no prato.
O mais bucólico fica no Butte de Chaumont
É no mais inglês dos parques parisienses, o Butte de Chaumont, que fica nosso primeiro restaurante: o Ora Farmhouse.
No meio do jardim, que imita uma paisagem montanhosa com suas rochas, penhascos, riachos, cachoeiras, grutas e pastagens alpinas, ergue-se um belo pavilhão do século XIX.
O site do restaurante anuncia uma “autêntica casa de campo em pleno Paris”. E é verdade que, ao chegar, temos a sensação de estar no campo, um pouco fora do mundo, fora do tempo. Com enormes janelas panorâmicas, um bar imponente e desenhos gigantescos de flores que se estendem até o teto, o local é acolhedor.

Para o chef Saayaan, os vegetais são os protagonistas. E por um bom motivo: aqui se defende a dieta flexitariana, que incentiva fortemente uma alimentação vegetariana, ao mesmo tempo em que permite o consumo moderado de carne e peixe. A ideia: avançar, no seu próprio nível e ritmo, rumo a uma alimentação mais sustentável. No Ora Farmhouse, isso passa pelo respeito necessário às estações do ano, oferecendo apenas produtos franceses, adquiridos, na medida do possível, por meio de circuitos curtos.
No cardápio, brotos de espinafre, homus de batata-doce, couve-flor ao estilo caccio ou ainda uma enorme batata amassada… Ou ainda um surpreendente camembert assado com batata-doce. Como bom carnívoro que sou, não posso deixar de reconhecer que está muito bom.
Fiquem tranquilos: quem não é vegetariano também poderá complementar sua refeição com carnes, aves e peixes, que fazem parte das sugestões.
Vale destacar que, aos domingos, há um brunch concebido com base em uma oferta única, também sazonal, e servida em uma bandeja de madeira. Ele oferece uma mistura de doces e salgados: queijo branco com mel de produtor local e granola caseira, ovos mexidos perfeitos, panquecas fofas, karaage de legumes e doces do chef, entre outros.
Ora farmhouse – Pavillon du Lac, rue Manin, Parc des Buttes-Chaumont, 19º arrondissement.
Pequeno paraíso nos Jardins de Luxemburgo

É no icônico Jardim de Luxemburgo que se situa nossa segunda parada: o Terrasse de Madame, o mais rive gauche (margem esquerda) do roteiro.
Esse jardim, criado pela rainha Catarina de Médici em 1612, reúne tudo o que faz o charme de Paris: um pouco de história com suas estátuas e fontes, espécies vegetais raras e um estilo de vida único que combina o jardim à francesa com o jardim à inglesa.

É, portanto, à sombra dos castanheiros centenários que se esconde o Terrasse de Madame, um restaurante ao lado do quiosque de música. Um pequeno paraíso chique bem no coração da margem esquerda.

No cardápio, apenas clássicos que fazem bem: ovos pochés com legumes, sucos naturais, uma quiche lorraine, um hambúrguer com batatas fritas caseiras, uma salada César com frango empanado…
E na hora do lanche: morango com chantilly, café liégeois e dame blanche!
Um segredo bem guardado, o restaurante pode ser apreciado o dia inteiro: abre às 9h da manhã.
La Terrasse de Madame, Jardins do Luxemburgo, 6º arrondissement.
O mais Belle Époque

É para um dos dois pulmões verdes de Paris, o Bois de Boulogne, que eu os convido agora.
Antigo terreno de caça dos reis da França, hoje abriga tanto uma imensa área florestal quanto espaços de lazer e museus, como a Fundação Louis Vuitton, o estádio de tênis de Roland-Garros e… o Grande Cascade, um refúgio gastronômico com uma estrela Michelin.
Aninhado em um sublime pavilhão da Belle Époque, que originalmente servia de ponto de parada para o imperador Napoleão III, que vinha até ali para caçar, o local tornou-se com o passar do tempo um restaurante com estrela Michelin. No interior, lustres, dourados e espelhos conferem um charme inegável a essa residência, que conservou todo o seu esplendor da época, tornando-a o local perfeito para um almoço entre amigos ou um jantar romântico longe da agitação da cidade luz.
No comando está o chef Frédéric Robert, formado para a excelência em maisons como a Ambroisie ou o Lucas Carton. Pratos primorosamente elaborados, como o macarrão com aipo-rábano, foie gras e trufa negra, o miolo de vitela selado na manteiga semisalgada ou ainda o pregado cozido em massa de algas e sal marinho, fazem parte dos pratos imperdíveis da casa.

Na seção de sobremesas, quem comanda é o jovem chef confeiteiro Joris Vee, que propõe clássicos revisitados, como as Crêpes Suzette flambadas na mesa, ou ainda o Baba aromatizado com alecrim, ao lado de um tradicional Mille-Feuille com sabor intenso de baunilha.
Inesquecível!
La Grande Cascade, Allée de Longchamps, Bois de Boulogne, 16º arrondissement.

ALAIN ROUSSEAU vive na capital francesa há 30 anos, mas morou e trabalhou em São Paulo durante oito anos. Fala fluentemente o português e diz que sua alma é brasileira. Apaixonado por arte e gastronomia, ele é o que os franceses chamam de bon vivant, alguém que gosta de descobrir novidades, compartilhadas aqui semanalmente com seu olhar refinado.