ALAIN ROUSSEAU
Na véspera do feriado nacional da Espanha, a Fiesta Nacional de España, que acontecerá na próxima segunda-feira (12), convido vocês a vir comigo para descobrir o lado espanhol de Paris.
Aqui, quatro lugares para viver como se estivesse em Madri sem sair da capital francesa.
O templo da sangria


Aberto há mais de 70 anos, 10 Bar serve a melhor sangria de Paris, feita na hora todos os dias.
Originalmente, surgiu em 1955, fruto da parceria entre um espanhol chamado Mariano e Mimi, uma mulher de personalidade forte, natural de Saint-Tropez. Fiel ao espírito de bodega, é o primeiro e único verdadeiro bar de sangria parisiense, que desde então tem permanecido fiel ao espírito de seus fundadores.
A sangria, a bebida rainha do 10 Bar, é fresca, frutada e perfumada. Recomendo a versão servida em jarra, que fica disponível até o fim da noite.
A decoração merece uma atenção especial, pois contribui para o charme do estabelecimento.
Atrás do balcão do térreo, encontram-se notas de todo o mundo expostas, deixadas como lembranças pelos amantes de sangria e frequentadores assíduos.
No subsolo, um teto abobadado típico das belas adegas parisienses, abriga um imenso painel de madeira trabalhada, vestígio de um antigo órgão monumental criado por Dussaux, renomado construtor de órgãos, e encontrado em Drouot. Outra peça de madeira, originalmente dourada com ouro fino, decora o bar, enquanto trabalhos em ferro forjado emolduram a escadaria.
Um lugar autêntico para ser descoberto sem moderação!
Le 10 Bar, 10 rue de l’Odéon, 6º arrondissement.
Onde vive o espírito de Almodóvar!
É melhor admitir logo: este é o meu restaurante espanhol favorito em Paris!
Batizado de Buenas, o restaurante parece ter saído diretamente de um filme de Pedro Almodóvar. Aliás, as homenagens ao cineasta enfeitam as paredes do estabelecimento, onde cada um de seus filmes é representado por um pôster e um pequeno objeto relacionado à obra.
Ao redor do balcão central, onde se destaca um imponente forno a lenha e o bar, há mesas altas para duas pessoas e confortáveis bancos para grupos maiores de convidados, pois aqui o ambiente é descontraído e muito acolhedor.

O seu proprietário, Toufik Seddik, é um verdadeiro apaixonado pela Espanha. Ex-dançarino e posteriormente formado no mundo da culinária no grupo Daroco, ele pretende fazer com que você se sinta em casa.
No cardápio, pratos criados por Paulina Esonho. Com o objetivo de destacar todas as regiões da Espanha, a chef preparou um leque de especialidades que vão desde os embutidos ibéricos até as tapas mais tradicionais: tortilha com cebola caramelizada, servida suculenta ou mais cozida, conforme a preferência; pimientos de Padrón bem carnudos e seus primos avermelhados, os pimientos rellenos — mini pimentões doces recheados com queijo fresco.

Quanto às bebidas, é possível acompanhar tudo com cervejas espanholas e variações ibéricas à base de vinho: sangria vermelha, sangria branca, kalimotxo, tinto de verano.
Saímos desse lugar ensolarado o ano todo, muy bien!
Buenas, Rua do Faubourg Saint-Denis, 83, 10º arrondissement.
Uma delicatessen de referência!

Cap Hispania é a referência em gastronomia espanhola requintada em Paris.
Fundada por Oscar Marimon, filho e neto de comerciantes, que chegou à cidade em 1995 para cursar a faculdade de administração, o espanhol decidiu não voltar mais e fundou a casa em 1998.
Com mais de 180 itens de produtos gastronômicos, salgados e doces cuidadosamente selecionados, a loja reúne em um único lugar tudo o que nos faz sonhar.
Os embutidos ibéricos, das melhores fazendas e produtores da Galícia, de León e de Navarra, em todas as suas formas, incluindo o famoso presunto de bellota.
Os queijos, as conservas, as sardinhas, as anchovas, os chipirões, os condimentos… Os vinhos, sem esquecer o arroz, é claro, para completar o quadro.
Sem esquecer os pratos prontos, desde as deliciosas croquetas de presunto ou frango até a tortilha fresca com cebola.
Cap Hispania, Rua Jouffroy d’Abbans, 23, 17º arrondissement.
A maior coleção do mundo do mestre andaluz Picasso

Desde 1985, data de sua inauguração, o Museu Picasso de Paris abriga a maior coleção do mundo de obras de Pablo Picasso, inigualável tanto pela diversidade impressionante das técnicas artísticas apresentadas quanto pelo período temporal abrangido, que cobre toda a carreira do artista.
Uma coleção composta, em sua essência, por várias doações excepcionais — esse mecanismo criado em 1968 pelo ministro da Cultura André Malraux, segundo o qual um contribuinte pode, em vez de pagar o imposto sobre herança, doar obras de arte ao estado, cujo patrimônio fica, de fato, enriquecido.
À doação “fundadora” de 1979, composta, entre outras coisas, por 228 pinturas, 158 esculturas, 1.495 desenhos e 1.704 gravuras, sucedeu-se em 1990 a doação de Jacqueline Picasso, composta, notadamente, por 49 pinturas e 247 gravuras. A última doação data de 2021, com nove obras importantes do mestre espanhol, foi feita por sua filha Maya Ruiz-Picasso.
Hoje, o museu reúne uma coleção de mais de 5 mil obras, incluindo pinturas, esculturas, desenhos e gravuras.
Museu Picasso, Hôtel Salé, 5 rue de Thorigny, 3º arrondissement.

ALAIN ROUSSEAU vive na capital francesa há 30 anos, mas morou e trabalhou em São Paulo durante oito anos. Fala fluentemente o português e diz que sua alma é brasileira. Apaixonado por arte e gastronomia, ele é o que os franceses chamam de bon vivant, alguém que gosta de descobrir novidades, compartilhadas aqui semanalmente com seu olhar refinado.