POR ALAIN ROUSSEAU
Esta semana experimentei uma visita inédita em realidade virtual. O percurso As origens de Paris, lançado neste verão, permite reviver a história da capital graças a um óculos e uma reconstituição de diferentes épocas.
Quando digo reviver foi realmente a sensação que tive: eu estava no meio da Paris dos romanos, dos vikings e acompanhei a construção da Notre Dame como se tivesse realmente vivido isso: é incrível.
Vou explicar tudo para vocês.
Primeiro, é preciso comprar o ingresso no site Les Origines de Paris.com.
Depois, deve ir até a Pont Louis-Philippe, em frente à Île de la Cité, e é lá que tudo começa.
Você receberá um capacete 360° com tecnologia de ponta e fones de ouvido para uma imersão total. Leve e redesenhado para uso ao ar livre, ele pode ser carregado na mão ou no pescoço entre cada parada, como um par de binóculos.

O passeio começa com uma caminhada de cerca de uma hora pelas margens do Sena até a Pont Neuf.
No programa, 15 cápsulas em realidade virtual com imagens em 360° e um som imersivo de tirar o fôlego. A cada cápsula, paramos e caminhamos para descobrir a próxima.
Descobrimos a origem da cidade, que leva o nome das tribos gaulesas dos Parisii, depois a Paris dos romanos, Lutécia, o cerco dos vikings, a construção da Notre-Dame, a grande enchente de 1910 até a libertação de Paris em 1944!
Pessoalmente, gostei muito das cápsulas sobre o cerco de Paris pelos vikings e a grande enchente de 1910.
CERCO DE PARIS PELOS VIKINGS

A cápsula conta a história do quarto cercos de Paris pelos vikings. Fala-se de mais de 700 navios vikings e cerca de 30 mil homens o que, segundo os historiadores, é um pouco exagerado.
Iniciado em 24 de novembro de 885, o cerco durou quase um ano, durante o qual os parisienses resistiram atrás das muralhas da Île de la Cité. Eles eram comandados pelo conde Eudes de Paris e pelo bispo Gauzlin, que fizeram desse cerco um símbolo da resistência da cidade. Enfrentaram grandes ataques, como o de 31 de janeiro de 886, e tentativas de incendiar as pontes.
Os vikings, incapazes de romper as defesas, devastaram os arredores para garantir seu abastecimento. Enquanto isso, a cidade resistia apesar das epidemias e privações. Finalmente, o imperador Carlos, o Gordo, chega em setembro de 886 e prefere pagar um tributo de 700 libras aos vikings para que poupem a cidade em vez de travar uma batalha. Esse acordo é visto como uma traição e, dois anos depois, Eudes, conde de Paris, se tornará o novo rei da França!
Graças à realidade virtual, você está em um drakkar viking e ataca com eles as muralhas da Île de la Cité: melhor do que em um filme!
GRANDE ENCHENTE DE 1910
Foi a maior enchente já registrada na Cidade Luz. Começou em 15 de janeiro e terminou 14 dias depois!
Em 20 de janeiro, como os barcos não conseguiam mais passar sob as pontes, a navegação no Sena foi interrompida em Paris. Em 22 de janeiro, o rio atingiu 5,79 m na ponte da Tournelle. Em 23 de janeiro, as usinas elétricas de Paris e dos subúrbios próximos foram pontualmente interrompidas. Em 25 de janeiro, o metrô foi interrompido e só voltou a funcionar no início de abril. As fábricas de gás que alimentavam a iluminação também foram interrompidas, pois estavam localizadas em áreas inundadas ou não recebiam mais o carvão necessário para seu funcionamento.
Em 28 de janeiro, a água sobe até 8,62 m na ponte de Austerlitz: 200 mil parisienses ficam sem moradia por conta das inundações.
Finalmente, em 29 de janeiro a água pára de subir, mas o Sena só volta completamente ao seu leito em março. No total, 720 hectares ficam inundados. A praça da Ópera desabou e a calçada da Champs-Elysées afundou.
Mais uma vez, graças ao seu capacete virtual, você vê a água subir, as pontes completamente obstruídas por detritos, bem como imagens da época!
No final da visita, o único arrependimento é que as cápsulas, às vezes, são muito curtas, gostaríamos de ver mais e ter um pouco mais de tempo para descobrir todos os pequenos detalhes lindamente encenados, com uma excelente qualidade visual!
Por enquanto, a visita está disponível apenas em francês, inglês e espanhol. O português ainda não está previsto.

ALAIN ROUSSEAU tem dois amores: Paris e Brasil. Vive na capital francesa hás 30 anos, mas morou e trabalhou em São Paulo durante oito anos. Nunca mais se desligou do país. Apaixonado por arte e gastronomia, ele é o que os franceses chamam de bon vivant, alguém que gosta de descobrir novidades e que vai trazê-las aqui toda semana.