O e-commerce brasileiro vive um momento de plena expansão e cresce acima da média global. Esse resultado mostra que o país está em rápida transformação digital, impulsionado principalmente por ações massivas de pagamentos instantâneos -leia Pix-, pelo aumento da competição com a chegada de novos players internacionais e pelo avanço das compras nas redes sociais.
Essas informações são da edição 2025 do Online Retail Report, da FTI Consulting, que analisa tendências de consumo e a evolução do varejo digital brasileiro. O estudo mostra que o setor registrou crescimento de 11,8% em 2024, acima da média global de 8,4%, alcançando vendas de R$ 381 bilhões. Esses números levaram o e-commerce a representar 9,03% do varejo brasileiro.
Pix, o queridinho dos brasileiros
O relatório mostrou ainda a forte adoção do Pix pelo consumidor durante as compras. Em apenas quatro anos, o sistema criado pelo Banco Central revolucionou os pagamentos e já responde por 40% das compras online. Mas, ainda continua atrás dos cartões de crédito, com um percentual de 44% de uso.
Enquanto isso, no cenário global o padrão é outro. As carteiras digitais lideram com 53% de participação nas compras online, enquanto os cartões de crédito representam apenas 20%.
O papel das redes sociais
Outro fator interessante do estudo identifica o papel relevante das redes no comportamento do consumidor brasileiro: 77% compraram via redes sociais, o que coloca o Brasil à frente de mercados como Reino Unido (56%) e Estados Unidos (53%).
O Instagram foi a plataforma mais utilizada para compras no Brasil (38%) em 2024, e o lançamento do TikTok Shop deve acelerar ainda mais a tendência de compras em redes sociais, repetindo o impacto observado nos EUA, onde a plataforma gerou mais de US$ 9 bilhões em vendas nesse mesmo ano.
Esse comportamento reforça a posição do Brasil como um dos mercados mais dinâmicos do mundo para integração entre entretenimento e consumo. Segundo relatório do Emarketer, 46,1% dos brasileiros pretendem comprar mais online e menos em lojas físicas, percentual superior ao do México (28,4%) e da Argentina (26, 2%).
Os celulares também têm um papel importante: 61% dos brasileiros usaram o dispositivo móvel na última compra online, índice acima do Reino Unido (49%) e EUA (42%), países em que os consumidores ainda usam mais os computadores.
O levantamento identificou ainda o crescimento da presença de empresas estrangeiras no Brasil, o que pressiona o varejo local. Redes tradicionais já enfrentam desafios e algumas passam por processos de reestruturação. Para lidar com a forte concorrência, muitas empresas já estão adotando promoções de datas, como 6/6, muito tradicionais nas plataformas asiáticas.