O Departamento de Estado dos EUA divulgou nesta quarta-feira (16) um longo documento, assinado pelo presidente Donald Trump, que lista os principais países envolvidos no trânsito e na produção ilícita de drogas. Embora o Brasil não tenha sido incluído na relação dos quatro países que não cumpriram seus compromissos internacionais para combate ao tráfico, o país é acusado de fracassar no combate às organizações terroristas estrangeiras PCC e Comando Vermelho.
O texto, que traça um retrato global sobre a questão das drogas e detalha como cada país vem se posicionando para combatê-las, foi enviado ao Congresso norte-americano.
“Enquanto muitos governos do Hemisfério Ocidental estão tomando medidas corajosas para reduzir o fluxo de drogas e erradicar os cartéis, o governo do Brasil não conseguiu enfrentar o problema. As organizações terroristas estrangeiras Primeiro Comando da Capital e Comando Vermelho, que transformaram o Brasil em um centro de distribuição global de cocaína, são signatárias de acordos. Essas organizações terroristas brasileiras representam uma ameaça crescente à paz e à segurança em todo o mundo, e o governo brasileiro deve urgentemente tomar medidas enérgicas para enfrentá-las e derrotá-las antes que se espalhem e cresçam”, diz o documento.
Logo na sequência sobre a situação do Brasil, o texto menciona a Nicáragua, afirmando que “o governo ilegítimo de Ortego-Murillo não tomou medidas suficientes contra o narcotráfico e a cumplicidade de agentes do regime no comércio de drogas.”
Muito além das fronteiras
O documento do governo ressalta que a ameaça das drogas aos Estados Unidos vai além das fronteiras norte e sul. Ele cita o caso da China, “que continua sendo a maior produtora mundial de muitos dos precursores químicos usados para produzir ilicitamente fentanil, metanfetamina e outras drogas sintéticas mortais. “A República Popular da China precisa tomar medidas mais agressivas para reduzir efetivamente o fluxo dessas substâncias, incluindo a inclusão de precursores químicos e substâncias adicionais solicitadas pelos Estados Unidos na lista de substâncias controladas”, diz o texto.
América do Sul
O Departamento do Estado traçou ainda um painel detalhado sobre a América do Sul, elogiando governos que fizeram “mudanças drásticas, ao longo do último ano, em suas políticas, criando oportunidades históricas” para cooperarem com os Estados Unidos.
“Na Venezuela, graças à prisão e destituição, pela minha administração, do ex-ditador ilegítimo e narcotraficante Nicolás Maduro, já estamos vendo os resultados da crescente cooperação com o governo interino do país contra os cartéis, incluindo a eliminação do líder do Tren de Aragua, Niño Guerrero”, ressalta o documento.
Cita ainda como exemplo a Bolívia que elegeu para a presidência Rodrigo Paz, “após décadas de governos socialistas ineptos, abrindo um novo capítulo nas relações com os EUA”. Entretanto, segundo o documento, “a corrupção continua a facilitar o tráfico de drogas e a dificultar as investigações.”
“Se a Bolívia demonstrar progresso na redução da produção ilícita de drogas no próximo ano e avançar substancialmente no combate à corrupção endêmica que a enfraquece, considerarei rever seu status de país que falhou demonstrativamente em cumprir seus compromissos antidrogas”, afirma Trump.
O governo norte-americano saudou ainda o compromisso da nova presidente Keiko Fujimori “em trabalhar com os Estados Unidos para destruir os criminosos que assolam o Peru e reduzir o fluxo de cocaína destinado ao país. Aplaudo também três dos maiores aliados em nosso hemisfério – Argentina, Equador e El Salvador – por sua liderança, determinação e sucesso na luta contra o narcoterrorismo”, diz o documento.