É pau, é pedra, é o fim do caminho… tempo de homenagear o maestro. Para celebrar o centenário de nascimento de Tom Jobim (1927-1994), a exposição itinerante Jobim-açu está na avenida Paulista, em São Paulo, até o próximo dia 16 de agosto, mostrando a relação íntima do compositor com a natureza.
Tom ouvia a conversa dos rios, interpretava o canto dos pássaros e observava as luzes sobre o horizonte -tudo para transformar esses acordes naturais em músicas que atravessaram gerações. Para o artista, a Mata Atlântica sempre foi origem, inspiração e linguagem. A mostra tem entrada gratuita e pode ser visitada, das 10h às 17h, no Bulevar do Rádio, ao lado do Sesc Avenida Paulista.
Com curadoria do jornalista Hugo Sukman e da cineasta Daniela Thomas, que também assina a direção artística, Jobim-açu transforma um caminhão em mostra imersiva. O título dialoga diretamente com a música Querelas do Brasil, de Aldir Blanc e Maurício Tapajós. Na letra, Aldir une o sobrenome do compositor ao sufixo tupi açu, que significa grande.

A canção, que celebra a diversidade natural do país ao mesmo tempo em que mostra a sua destruição, traz Tom como um dos grandes intérpretes da brasilidade e alguém que transformou a fauna, a flora, as águas e as paisagens dos Brasil em linguagem musical.
“Tom enxergava a floresta como patrimônio cultural. Ele costumava dizer que toda a sua obra havia sido inspirada pela Mata Atlântica. O músico compreendeu cedo que a biodiversidade brasileira não era apenas cenário, mas linguagem. A exposição parte justamente dessa convicção, mostrando como rios, árvores, aves e estações do ano inspiraram sua produção artística e moldaram sua maneira de pensar o Brasil”, afirma Hugo Sukman.
O Caminhão de Histórias se transforma em uma extensão da paisagem que moldou o imaginário de Tom, convidando o visitante a atravessar uma floresta feita de imagens, sons e tecidos suspensos. No interior, tecidos suspensos têm trechos de canções, fotografias e imagens de diferentes momentos da vida do compositor, enquanto um grande painel reúne registros biográficos que acompanham sua trajetória.

“É uma cenografia que convida a olhar para cima, ouvir os pássaros, perceber a luz e compreender que aquela floresta sempre esteve presente na música dele. A sensação é a de caminhar pela floresta que Tom tantas vezes traduziu em sons”, afirma Daniela Thomas.
Playlists sob medida
Canções como Passarim, Matita Perê, Águas de Março, Borzeguim e Chovendo na Roseira aparecem como parte de uma narrativa que demonstra como a natureza deixou de ser pano de fundo para ocupar o centro de sua obra.
A experiência segue do lado de fora do caminhão. Cinco estações compostas por 20 painéis apresentam, por meio de textos breves e um amplo conjunto iconográfico, a trajetória de Tom Jobim, da infância até o reconhecimento internacional como um dos maiores compositores do século 20. Banquinhos convidam o público a permanecer no espaço, folhear os materiais e desacelerar o ritmo da visita.
E duas playlists foram criadas especialmente para diferentes momentos da programação. Além das músicas inspiradas na natureza, mais tocadas durante a semana, o repertório aos sábados e domingos tem clássicos como Chega de Saudade e Se Todos Fossem Iguais a Você.
Além da visitação, Jobim-açu promoverá oficinas voltadas a crianças e estudantes, propondo atividades que mesclam música, literatura, ilustração e educação ambiental. Após três semanas instalada no Sesc Avenida Paulista, a exposição vai para o Parque da Luz, no centro da cidade.