Os jovens estão mais tristes? Um número chama a atenção: 71% dos brasileiros, entre 16 e 24 anos, dizem se sentir infelizes ao interagir nas redes sociais. Mesmo assim, continuam. Outros 77% comparam a própria vida ao que vêem online, 63,4% reconhecem manter dependência das telas e 21% afirmam não ter ninguém a quem possam recorrer em um momento difícil.
Mas essa situação não se limita a apenas uma faixa etária. Entre todos os usuários das redes, mas da metade também relata tristeza ao navegar por elas. Ou seja: mães e filhos estão presos no mesmo mecanismo -com níveis diferentes de consciência. A tela que preocupa dentro de casa é, muitas vezes, a mesma que está na mãoi de quem se preocupa.
Essas informações foram reveladas por uma pesquisa inédita, batizada de O Mapa da Felicidade Real no Brasil 2026, conduzida por Renata Rivetti com 1,5 mil brasileiros. Rivetti é pesquisadora da Ciência da Felicidade e autora do livro O Poder do Bem-Estar: um guia para redesenhar o futuro do trabalho,
Esse estudo é o primeiro diagnóstico nacional a investigar, com metodologia científica, os fatores que influenciam o bem-estar da população brasileira em suas dimensões emocionais, sociais, econômicas e digitais. Ele foi conduzido pela pesquisadora em parceria com o Instituto Ideia. As entrevistas telefônicas nacionais oferecem 95% de confiança estatística e margem de erro de 2,5 pontos percentuais.
As plataformas foram projetadas para capturar atenção e o cérebro jovem, ainda em formação, é especialmente vulnerável a esse tipo de estímulo constante. A pesquisa revela a consciência que os jovens já têm sobre os seus sentimentos em relação à situação. Só não sabem como sair dela.
Mais velhos, mais felizes!
O levantamento traz outro dado interessante: os brasileiros 60+ são os mais felizes do país e 95% deles se declaram satisfeitos com o atual estágio de suas vidas. Entre os jovens, de 16 a 24 anos, esse índice cai para 81%, o menor entre todas as faixas etárias. Vale lembrar que essa geração tem mais acesso, mais conexão e mais informação do que qualquer outra. E é a que menos se sente bem
Mas, por que essa situação ocorre? Os vínculos podem ser parte da resposta. Os mais velhos construíram redes de apoio real ao longo de décadas.
Enquanto isso, os mais jovens (21%) dizem não ter ninguém a quem recorrer em momentos de crise e outros 77% comparam a própria vida com que vêem em seus feeds nas redes. O estudo classifica essa comparação de “inadequação sistêmica”, que vem a ser uma insegurança crônica alimentada pelo algoritmo -e não uma fase que passa sozinha.
“Todos os estudos sobre saúde e longevidade mostram que o maior fator de proteção vem das relações que construímos ao longo da vida. “Nunca estivemos tão conectados e, ao mesmo tempo, tão solitários”, afirma Rivetti.
A falta de interação social, estimulada pelo convívio intenso com as telas, é hoje um problema. Em termos de riscos à saúde, a falta de conexão social real equivale ao consumo de 15 cigarros por dia, segundo a própria Organização Mundial de Saúde.