O turismo faturou R$ 23,2 bilhões em maio de 2026, maior valor já registrado para o mês na série histórica. É um crescimento de 4,2% em comparação ao mesmo período do ano passado. Os números são da pesquisa do faturamento do turismo nacional da FecomercioSP (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo)
Segundo a entidade, esses dados refletem um crescimento puxado por preço e não por volume. Tanto no transporte aéreo quanto na hotelaria, o avanço da demanda foi bem mais modesto do que o aumento de receitas. Esse é um forte sinal de que os conflitos no Irã seguem pressionando os custos do turismo, repassados gradualmente ao consumidor final
Combustível mais caro sustenta tarifa aérea
O transporte aéreo de passageiros foi a atividade de maior faturamento em maio, com R$ 6,9 bilhões, o maior já registrado para o mês na série histórica, com alta de 9,1% em relação a maio de 2025.
Mas, o desempenho decorreu, sobretudo, do preço. A demanda doméstica — medida pela relação entre passageiros e quilômetros voados (RPK) — cresceu apenas 2,5%, ritmo semelhante ao de abril e bem inferior ao avanço das receitas.
O que sustentou o faturamento, de fato, foi o salto de 11,2% na tarifa média das passagens em comparação com maio do ano passado, reflexo do encarecimento do querosene de aviação provocado pelos conflitos no Oriente Médio.
Para a FecomercioSP, as companhias aéreas ainda não conseguiram repassar integralmente esse custo aos passageiros, embora o repasse parcial já seja suficiente para sustentar o crescimento nominal do faturamento da atividade.
Hotelaria e alimentação
Os meios de hospedagem faturaram cerca de R$ 4,9 bilhões em maio, com crescimento de 1,8% na comparação anual. Assim como no segmento aéreo, o resultado foi puxado principalmente por preço — a taxa de ocupação avançou 1,6%, enquanto a diária média subiu 5,4%, de acordo com dados do Fórum de Operadores Hoteleiros do Brasil, o Fohb. Esse é um sinal de que a demanda em volume avança em ritmo mais contido, ainda que a receita por quarto disponível siga em trajetória consistente de alta.
A alimentação voltada para o turismo registrou faturamento de R$ 3,8 bilhões e crescimento de 6,9%, o resultado proporcional mais expressivo entre todos os segmentos do mês, com acumulado de 5,6% no ano. O desempenho segue sustentado pelo bom momento do mercado de trabalho, mas reflete também a alta dos preços de alimentos.
Em maio, a inflação do grupo de alimentação atingiu 1,65%, bem acima do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) geral de 0,58%, pressionando os custos de insumos em bares e restaurantes e se refletindo nos preços cobrados ao turista.
São Paulo lidera faturamento
São Paulo manteve a liderança nacional, com faturamento aproximado de R$ 6,7 bilhões, equivalente a 41% do total do país. O crescimento de 3,8% no mês reforça o bom momento do Estado, que acumula alta de 4% nos cinco primeiros meses de 2026.
Essa performance é sustentada pelo fluxo contínuo de eventos corporativos, feiras e congressos que impulsionam a economia da capital paulista durante todo o ano.
O Acre apresentou a maior variação porcentual entre os estados, com alta de 13,5%, ainda que em faturamento reduzido (em torno de R$ 14 milhões). O Mato Grosso avançou 11%, somando R$ 406 milhões, e a Bahia cresceu 9,5%, alcançando R$ 764 milhões e mantendo acumulado de 7,6% no ano, um dos melhores desempenhos consistentes do ano. Já o Rio de Janeiro cresceu 5,9%, chegando a R$ 1,5 bilhão.
No campo negativo, Maranhão (-8,7%), Ceará (-6%), Tocantins (-5,5%) e Piauí (-5,1%) registraram as maiores retrações. Minas Gerais, segundo Estado com maior faturamento do Brasil, com cerca de R$ 1,4 bilhão, recuou 1,7% na comparação anual.
Ano positivo para o setor
A FecomercioSP mantém a projeção de crescimento acima de 4% para o faturamento do turismo em 2026. O mercado de trabalho aquecido e o acesso ao crédito pelas famílias, principalmente no cartão de crédito parcelado, devem continuar estimulando a demanda por viagens.
Já o principal fator de risco é a escalada do conflito no Irã e seus efeitos sobre o preço do petróleo no mercado internacional, que pode intensificar a pressão sobre as tarifas e encarecer o acesso ao turismo nas próximas temporadas.